Gaeco indicia 12 pessoas no caso tanatopraxia
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Metade dos atendentes e preparadores de cadáveres que trabalham na Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) foi indiciada pelos crimes de concussão (exigência de vantagem indevida por agente público) e formação de quadrilha. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também indiciou o ex-superintendente da Acesf Osvaldo Moreira Neto e três empresários que prestam o serviço de tanatopraxia na cidade. Foram 12 pessoas, no total.
O inquérito que apura oferta indevida da técnica de conservação de cadáveres para familiares de pessoas falecidas ainda não foi concluído, mas o delegado Alan Flore disse ontem que já é possível falar em indícios concretos de crime. Entre os indiciados, estão cinco atendentes da Acesf - Ilson Marcolino Barbosa, Luiz Carlos Teodoro, Carlos Antônio Marinelli, Mauro Pinto Ferreira e Geraldo Lopes da Silva Junior - e três preparadores de cadáveres: Claudemir Mendes, Antônio Vaz Viana e Neio Lucio Martins Bandeira.
Mendes, Viana e Ferreira foram afastados da autarquia após o surgimento das denúncias, sendo que este último está preso suspeito de constranger testemunhas no inquérito. Completam a lista o proprietário da empresa Bom Pastor, Osmar Camaçano Martins, o filho dele, Gefferson Guilherme Martins, e o administrador da empresa Tanato, André Luiz de Mario.
Segundo o delegado, as versões apresentadas pelos mais de 20 familiares de falecidos ao Gaeco comprovaram que ''os funcionários acabavam pressionando e coagindo os familiares a contratar o serviço de tanatopraxia; em seguida, chegava um funcionário (de uma das empresas de tanato) que prestava esse serviço, quando então eram cobrados valores diversos''.
Flore admitiu que ''o recebimento de propina não ficou devidamente evidenciado nos autos'' e que não existe uma prova concreta, mas sustentou que a exigência imposta aos familiares, por si só, caracteriza o crime de concussão.
Dois depoimentos de funcionários teriam apontado ainda a existência do esquema criminoso, com anuência de Moreira Neto. De acordo com o delegado, um servidor da Acesf - cujo nome ele preferiu não revelar - relatou que foi procurado pelo proprietário de uma das empresas de tanatopraxia com uma oferta: o funcionário receberia uma comissão para convencer os familiares da necessidade de realizar o procedimento para conservar o corpo por mais tempo.
''Esse empresário teria dito que já se reunira com o então superintendente (Neto), acertando o pagamento de comissões. Ele disse que negou o recebimento e foi conversar com o superintendente. Neto teria negado qualquer tipo de acerto, mas nenhuma providência foi tomada'', destacou Flore.
Outra testemunha-chave foi o ex-funcionário de uma empresa de tanato. Ele contou ao Gaeco que servidores, padrinhos políticos de funcionários comissionados e diretores do órgão recebiam aproximadamente R$ 400 para cada corpo enviado para a tanatopraxia. Flore afirmou, contudo, que a participação do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) no esquema, ventilada a princípio, não foi confirmada.


