O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) finalizou ontem o inquérito da segunda fase da operação Publicano e identificou 140 novos crimes praticados na Receita Estadual, além daqueles que já estão detalhados na ação penal que tramita na 3ª Vara Criminal de Londrina, referentes à primeira fase da investigação. Foram encontrados indícios do envolvimento de 112 pessoas, entre auditores fiscais, empresários, contadores e advogados.
Segundo o delegado Alan Flore, "ficou comprovado" o esquema ilegal na delegacia da Receita em Londrina "que vem de longa data". Os crimes são corrupção tributária ativa e passiva, além de formação de organização criminosa. O possível crime de lavagem de dinheiro somente poderá ser identificado após a finalização da auditoria nos documentos que está em andamento no Ministério Público (MP) do Paraná. Flore antecipou que a investigação continuará. "Esperamos que a auditoria possa comprovar qual é o rastro deixado por esses valores, se foram revertidos em patrimônio particular ou se tinham outro destino."
Existem suspeitas que de parte dos recursos obtidos com o esquema teria abastecido a campanha política de 2014 do governador Beto Richa (PSDB), principalmente por meio da articulação do empresário e parente distante do tucano, Luiz Abi Antoun, também indiciado. O PSDB nega. Abi mantém silêncio desde que foi preso e seus advogados não comentam as acusações. Flore não quis individualizar a participação dos suspeitos, mas revelou que Abi "tinha grande influência dentro da Receita, ele teve a sua participação dentro dessa estruturação".
A confissão de empresários, confirmando o pagamento de propina para evitar a fiscalização da Receita, foi determinante para o resultado final do inquérito. "Muitos admitiram que efetivamente pagaram propina e essas inquirições dos empresários trouxeram correspondência com as afirmações dos réus delatores. Isso deu uma sustentação muito grande para que as medidas (pedidos de prisão) fossem pleiteadas", afirmou o delegado.
A segunda fase da Publicano foi além da região de Londrina e apurou indícios de que funcionários do alto escalão da Receita no Paraná participariam dos crimes. O ex-coordenador do órgão José Valêncio chegou a ser preso. "Eles integravam essa organização que estava basicamente sedimentada aqui na cidade, mas se estendia para outras regiões."
Encaminhado à Justiça, o inquérito ficará à disposição dos promotores do Gaeco que deverão apresentar a segunda denúncia criminal desde que o esquema de corrupção na Receita foi revelado, em março.

Imagem ilustrativa da imagem Gaeco identifica 140 novos crimes na Receita Estadual
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