Oito dias após deflagrar a Operação Déjà Vu em São Jerônimo da Serra (Norte Pioneiro), os promotores Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em Londrina interrogaram nessa sexta-feira (25) os oito investigados por fraude à licitação e crimes como corrupção, falsidade ideológica e peculato. Durante a oitiva, o prefeito do município, João Ricardo Mello (Cidadania), que é suspeito de liderar a organização criminosa, usou da prerrogativa de permanecer calado.Até agora nenhum deles obteve habeas corpus no TJ (Tribunal de Justiça do Paraná).

Já na quinta-feira (24), outros dois agentes públicos foram presos preventivamente (por tempo indeterminado) após decisão do TJ. São eles: o secretário municipal de Obras, Roberth Padilha Machado, e Dhiego Wilson Sampaio, funcionário do setor de compras da Prefeitura de São Jerônimo da Serra. De acordo com o promotor do Gaeco Leandro Antunes, os dois novos mandados de prisão foram expedidos pelo TJ após análise prévia do material apreendido que teria demonstrado a participação intensa dos dois agentes públicos. "Ambos atuavam na apropriação de recursos públicos. O secretário era responsável pelos pedidos das peças automotivas superfaturadas, e o responsável pelo setor de compras mantinha contato ilícito com os empresários. No caso dele (Dhiego) detectamos uma evolução do patrimônio acima da da sua renda e vários bens em nome de terceiro", disse Antunes ao elencar mais um crime: a lavagem de dinheiro.

O promotor reforçou que o fato dos investigados negarem a prática delituosa não tem peso para denúncia criminal. "Não precisamos contar necessariamente com depoimentos dele para chegar à conclusão da prática dos crimes. A documentação e celulares apreendidos corroboram com a investigação e comprovam o crimes constatados."

Também já foram interrogados os investigados que estão soltos. Entre eles, o vice-prefeito de São Jerônimo da Serra, Laércio Correia, que está afastado da função pelo TJ desde o dia 16 de outubro. As empresas suspeitas de participação são de Londrina, Assaí (Região Metropolitana de Londrina) e Cornélio Procópio. Quatro empresários estão entre os presos: Sander Rogério Pereira, Erickson Augusto Arias, Francisco Arias e Marlete Sales. Também estão presos Guilherme Borcho e Luiz Roberto Sutil

OUTROS MUNICÍPIOS

O MP (Ministério Público) não descarta a participação de agentes públicos de outros municípios da região como Assaí e Cornélio Procópio. Entretanto, o promotor não pôde adiantar o rumo da investigação. Já segundo o promotor da comarca de São Jerônimo da Serra, Danilo Paes Leme, o montante desviado da prefeitura ainda não foi calculado. "Um farto material foi apreendido. Essa documentação ainda será auditada para levantar qual valor foi superfaturado ou não entregue à população." O ressarcimento ao erário poderá ser alvo de ação civil de improbidade administrativa.

A FOLHA não conseguiu contato com as defesas dos investigados na operação.

mockup