O procedimento criminal instaurado no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar denúncia de suposto pedido de direcionamento em licitação pública por parte do vereador Joel Garcia (PDT) pode ser concluído sem o depoimento do parlamentar. A afirmação foi feita ontem pelo coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, depois da terceira tentativa frustrada de ouvir Joel sobre as acusações feitas semana passada em depoimentos do prefeito Barbosa Neto (PDT) e do secretário municipal de Gestão Pública, Marco Cito. O vice-prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC) também depôs.
No depoimento marcado para ontem, às 14 horas, apareceu - às 14h10 - apenas o advogado de Joel, Alexandre Aquino, conforme o qual o novo pedido de adiamento ocorreu a fim de que a defesa obtivesse vista também do procedimento instaurado para apurar as denúncias contra o vereador no âmbito cível - no caso, na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. ''Entramos com uma petição para ter acesso aos autos que tramitam também no Patrimônio, pois dependemos disso para ver que linha de defesa será adotada'', disse o advogado. ''Pedimos para redesignar nova data, após a vista dos autos, mesmo porque temos farta documentação em favor do Joel comprovando a inocência dele diante das imputações feitas pelo prefeito.''
Segundo o coordenador do Gaeco, o novo pedido de adiamento, classificado por ele como ausência, será analisado ''técnica e juridicamente'' para que se saiba quais os próximos passos do procedimento instaurado. ''Dia 11 o vereador viria depor, mas um advogado alegou que tinha compromissos e não poderia acompanhá-lo. Ontem (anteontem), pediram que fosse adiada a data novamente para que trouxessem documentos referentes à licitação da merenda e à CEI (Comissão Especial de Investigação) do Transporte (cujos trabalhos, no primeiro semestre, foram presididos por Joel), e agora pediram vistas de um procedimento que é separado daquele conduzido pelo Gaeco - de modo que o Gaeco deu vista aos autos'', elencou o promotor. ''Na minha contagem, foram três vezes que ele não depôs, o que é totalmente prejudicial, por exemplo, porque o vereador é peça essencial para contrapor versões diferentes da dele. Mas posso encerrar os trabalhos sem ouvi-lo, também. Confesso que nunca me aconteceu isso antes'', comentou Esteves.
Pelo Patrimônio, o promotor Renato Castro informou que são três procedimentos instaurados com denúncias contra o parlamentar, de modo que o da licitação já estaria concluído. Ele não quis comentar o teor do final dos trabalhos. Na Câmara, Joel também preferiu não se manifestar sobre o assunto.

mockup