Gaeco denuncia servidores da Codel e livra 4 empresários
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP) do Paraná, apresentou à Justiça denúncia criminal por suposta corrupção na doação de áreas públicas para empresários em Londrina. Entre os cinco denunciados estão os servidores do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) Eduardo Ivan Reale, por corrupção passiva e associação criminosa, e José Hilário, por corrupção passiva. Também são citados na denúncia a enfermeira Eliana Teixeira Gonzaga Zamboni, o empresário Dorival Pereira e a secretária dele, Ana Lucia Soares. Se condenados, as penas previstas variam de 2 a 12 anos de prisão, no caso de corrupção, e de 1 a 3 anos, no caso de associação.
Segundo a investigação, iniciada no ano passado, Reale, Eliana, Dorival e Ana Lucia "foram estabelecendo ao longo do tempo, ainda que de maneira tácita e rudimentar, metodologia para a consecução das corrupções pretendidas". Os três primeiros chegaram a ficar presos por cinco dias no final do ano passado. Reale, na condição de gerente de Desenvolvimento Industrial da Codel, cuidaria da tramitação dos processos referentes à doação de áreas para empresários e, junto com Eliana, que atuaria informalmente como corretora de imóveis, pediam aos interessados no programa de incentivos do município quantias a partir de R$ 350, em diferentes fases da tramitação, para agilizar documentos. As cobranças podiam chegar a R$ 10 mil.
O empresário Dorival Pereira, dono da Artlondre, aceitou pagar para obter supostas facilidades na aquisição de uma área pública. Entretanto, narra o Gaeco, "antevendo a possibilidade de auferir ganhos fáceis", o empresário teria aderido "aos propósitos ilícitos perseguidos pelos demais denunciados". Pereira teria se associado aos demais para arregimentar empreendedores.
Hilário, segundo a denúncia, recebeu indevidamente R$ 2,4 mil para acelerar o andamento de um projeto, porém, não teria agido em associação com os outros denunciados. Quatro empresários indiciados pelo crime de corrupção ativa escaparam da denúncia criminal porque o MP entendeu que não houve oferta ou promessa de vantagem indevida por parte deles. Eles cederam às solicitações pelo pagamento de propina feitas pelo grupo.
Outro lado
O advogado de Reale, Jorge Alexandre Karatzios, antecipou que deve apontar eventuais nulidades no processo, como interceptações telefônicas que considera ilegal. No mérito, afirma que "não aconteceu nada irregular". "No curso da ação penal poderemos exercer o contraditório, com perguntas às testemunhas, diferente do que ocorre na fase do inquérito policial."
Ronan Botelho, advogado de Eliana, informou que ainda não tinha conhecimento da denúncia, mas reagiu às acusações. "Ela prestava serviço, reunindo documentos necessários para que os empresários dessem entrada na Codel. São exigidos pelo município muitos documentos e Eliana, pelo conhecimento que tinha, fazia esse serviço." Botelho informou que a cliente, enfermeira, reuniu documentação para dois empresários. Pereira e Ana Lucia não quiseram falar. Hilário não foi localizado. A sindicância instaurada pela própria Codel, para apurar o envolvimento dos servidores, deve ser finalizada na semana que vem.



