Gaeco denuncia Joel Garcia três vezes
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sábado, 19 de dezembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Duas ações criminais por concussão e uma por ato de improbidade administrativa. Esse foi o saldo parcial apresentado ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nas investigações envolvendo o vereador Joel Garcia (PDT) - saldo ''parcial'' porque, de acordo com os promotores, há situações denunciadas contra o parlamentar as quais ainda não foram concluídas. Uma delas, ainda que no âmbito do Ministério Público Eleitoral (MPE), é a denúncia de suposta compra de votos no Distrito de São Luiz (Zona Sul), subsidiada pela busca e apreensão de duas listas com dados de eleitores que teriam vendido o voto, na campanha de 2008, por valores que variam entre R$ 20 e R$ 30. Em depoimentos ao Gaeco cabos eleitorais e eleitores confessaram ter participado do esquema.
Duas situações foram relatadas nas ações de ontem, assinadas pelos promotores Cláudio Esteves, Jorge Barreto, Leila Voltarelli, Renato de Lima Castro e Yara Guariente. Em uma delas, Joel é acusado de se aproveitar do cargo de vereador e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Londrina - pela qual todos os projetos de lei têm de ser encaminhados, antes de seguirem a plenário - para supostamente exigir, de integrantes do Executivo municipal vantagem indevida, correspondente à inabilitação de empresas que participavam da licitação da merenda escolar, em setembro passado, no que se referia ao fornecimento de produtos de hortifruti. O objetivo, segundo as investigações, seria direcionar o certame de modo a beneficiar a empresa Stanley & Garcia, de familiares do parlamentar.
A denúncia foi formalizada ao Gaeco no último dia 3 pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), e reforçada pelos depoimentos do secretário municipal de Gestão Pública, Marco Cito, e do vice-prefeito, José Ribeiro (PSC). Conforme os autos, o vereador teria insistido com Cito para que a empresa da família - classificada em quarto lugar - vencesse a disputa, ou ''passaria a ter um comportamento de oposição e de imposição de dificuldades à tramitação de projetos de lei de interesse do Executivo municipal''. No depoimento ao Gaeco, Barbosa afirmou que na abordagem que Joel teria feito a ele no gabinete da Prefeitura, pouco tempo após a posse, teria pleiteado a vantagem alegando ''que não conseguia sobreviver com a quantia de R$ 4.500'' que receberia, em valor líquido, como parlamentar.
Já a segunda situação denunciada pelo Gaeco, dessa vez na área criminal e na cível, é novamente o suposto uso do cargo na Câmara e à frente da CCJ para a admissão de uma cabo eleitoral de 2008, no Procon, sem teste seletivo. Conforme os promotores, a abordagem teria ocorrido em um churrasco promovido por Barbosa a assessores e secretários, no final de outubro, em uma chácara na rua Bélgica, diretamente ao chefe do órgão, Carlos Neves.
A universitária é filha de uma das testemunhas da investigação de suposta compra de votos - o mesmo que, em entrevista à FOLHA, ontem, confirmou ter aliciado e pago eleitores de São Luiz em troca de uma vaga de assessora, para a filha, no gabinete do vereador; a promessa seria cumprida em janeiro, em vão.
''Havia um projeto de lei de interesse do Procon em trâmite na Câmara (aprovado em segundo e último turno na sessão de anteontem), e o vereador, como presidente da CCJ, havia já dado um parecer contrário à matéria, mesmo com parecer favorável da assessoria jurídica do Legislativo. Nesse churrasco, ele chamou o coordenador do Procon a um canto e fez a exigência, o que não foi aceito'', declarou o promotor Cláudio Esteves.
O Gaeco não informou se pediu, na esfera cível, o afastamento de Joel. Se a permanência dele no cargo afeta os trabalhos de investigação? ''Não é interessante, vamos dizer'', sinalizou o promotor Renato Castro.


