Gaeco denuncia 13 por desvio de dinheiro na AL
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um novo núcleo de servidores ''fantasmas'' da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná foi denunciado ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na esteira da chamada Operação Ectoplasma. O Gaeco denunciou 13 pessoas, entre elas os três ex-diretores da AL presos desde a primeira Operação Ectoplasma, realizada em abril: Abib Miguel, José Ary Nassiff e Cláudio Marques da Silva. Eles foram denunciados por formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os mesmos crimes foram lançados contra o corretor de imóveis Daor Afonso Marins de Oliveira, amigo de Abib Miguel. Os nove denunciados restantes são parentes de Daor: a esposa Roseli; os filhos Maureen, Marlon e Luiz Alonso; a irmã Clori e os filhos dela Pierre, Alessandro e Eduardo; e Glaucilene (esposa de Pierre).
Os nove parentes de Daor foram denunciados por peculato. No caso de Maureen e Marlon, eles também foram denunciados por formação de quadrilha, pois, segundo o Gaeco, ajudariam o pai no esquema, entregando dinheiro aos demais familiares, por exemplo. Já no caso de Clori, Pierre, Alessandro, Eduardo e Glaucilene, o Gaeco sugere a delação premiada, já que eles colaboraram com as investigações. A delação premiada, a critério do juiz que analisará o caso, pode reduzir ou até extinguir a pena.
Thayse Pereira Gbur, esposa de Alessandro, chegou a ser incluída na folha de pagamento da AL, mas o Gaeco não a denunciou porque entendeu que seu envolvimento não foi consciente. Daor teria obtido os documentos de Thayse, alegando que ela seria beneficiária de um seguro, o que permitiu que fosse aberta uma conta bancária no nome dela, para receber salários da AL.
O Gaeco pediu a prisão preventiva de Daor, o que foi acatado, mas ele permanecia foragido até ontem. Roseli, Marlon e Luiz Alonso também não foram ouvidos pelo Gaeco até agora. Luiz Alonso mora em São Paulo.
Todos os nove parentes de Daor, e ele próprio, foram nomeados para cargos comissionados na AL, mas nunca trabalharam lá. Os cargos pertenciam à diretoria geral e à diretoria administrativa. Os salários seriam parcialmente desviados para os três ex-diretores da AL. O esquema é o mesmo utilizado no caso da família de João Leal de Matos, e denunciado também pelo Gaeco no último dia 3.
A primeira nomeação do núcleo de familiares de Daor teria ocorrido em 1997. Os prejuízos aos cofres da AL, entre aquele ano até fevereiro último, no caso específico do núcleo de Daor, chegaria a R$ 13.234.512,81, em valores não corrigidos. No caso de Abib Miguel, se condenado, a pena mínima seria de 66 anos e 4 meses de reclusão. Já a pena máxima seria de 342 anos e 4 meses de reclusão. Ele e os outros dois ex-diretores da AL (José Ary Nassiff e Cláudio Marques da Silva) já tinham sido denunciados no caso da família de João Leal de Matos pelos mesmos quatro crimes.


