Gaeco constata excessos em visitas a Bibinho
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A promotora de Justiça Marla de Freitas Blanchet, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP) do Paraná, já está com a relação de visitas que Abib Miguel, ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa, recebeu desde 27 de agosto último, quando voltou para a prisão pela última vez Segundo ela, foi constatado ''excesso'' no número de visitas realizadas e às vezes ao mesmo tempo O único privilégio de Bibinho, segundo a promotora, deveria ser o local da prisão, um quartel da PM, pelo fato de ele ter curso superior As demais visitas, na quantidade e periodicidade que estariam ocorrendo, não seriam permitidas
A promotora informou que protocolou ontem um pedido à juíza da 9 Vara Criminal de Curitiba, Angela Regina de Lucca, para que sejam tomadas providências Ela é quem está julgando os dois processos criminais que correm contra Bibinho e outras 18 pessoas A FOLHA tentou falar ainda com a assessoria de imprensa da PM, responsável pela segurança na prisão, para tentar saber quais as regras em vigor, mas a resposta só será fornecida hoje A justificativa é de que o expediente administrativo da PM já havia terminado quando houve a solicitação
Ausente
Bibinho não vai aparecer hoje na primeira audiência relativa ao segundo processo que ele responde na 9 Vara Criminal A decisão foi informada pelo advogado Eurolino Sechinel dos Reis, que sustenta que seu cliente está com atestado médico até o dia 4 de dezembro em função da cirurgia de hérnia estrangulada enfrentada no início do mês
Na audiência relativa ao primeiro processo criminal, realizada quase três dias depois da cirurgia, a juíza à frente do caso, Angela Regina de Lucca, já havia antecipado que acreditava que, depois da alta hospitalar, não havia motivos para o réu se ausentar das audiências O advogado de Bibinho afirma, contudo, que a recomendação médica é pelo repouso de 30 dias e que a presença de seu cliente na audiência hoje seria ''desumano e cruel'' Na audiência do primeiro processo criminal, Angela Regina de Lucca decidiu desmembrar o caso de Bibinho, para dar andamento normal ao restante do processo Hoje o procedimento deve ser o mesmo
Além de Bibinho, existem outros oito réus no primeiro processo No segundo processo, são 13 réus no total Mas os dois supostos esquemas de desvio de dinheiro, denunciados pelo MP em maio, são semelhantes O MP aponta que Bibinho comandava junto com outros dois ex-diretores do Legislativo pelo menos duas redes de desvio de salários de comissionados ''fantasmas''
No primeiro processo criminal, o esquema gira em torno do servidor do Legislativo foragido João Leal de Matos, que teria articulado a nomeação de oito parentes seus, sendo dois ''laranjas'' No segundo processo criminal a denúncia gira em torno do corretor de imóveis Daor Afonso Marins de Oliveira, supostamente funcionário ''fantasma'' do Legislativo Amigo de Bibinho, o corretor teria articulado a nomeação de nove parentes seus O MP calcula um desvio de cerca de R$ 26 milhões


