Rony Alves negou irregularidades nos projetos envolvendo mudança de zoneamento: "As pessoas que acusam não apresentam provas"
Rony Alves negou irregularidades nos projetos envolvendo mudança de zoneamento: "As pessoas que acusam não apresentam provas" | Foto: Fotos: Marcos Zanutto



O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) concluiu na sexta-feira (2) o procedimento investigatório da Operação ZR3 após interrogar os 11 envolvidos em um suposto esquema de pagamento de propina para aprovação de projetos de lei de mudança de zoneamento urbano. A operação que veio à tona no último dia 24 voltou a colocar a cidade no mapa dos escândalos políticos.

Os vereadores afastados Rony Alves (PTB) e Mario Takahashi (PV), o suposto lobista e membro do CMC (Conselho Municipal da Cidade) Luiz Guilherme Alho e o assessor de gabinete de Alves, Evandir Aquino, responderam as perguntas do promotor do Gaeco, Leandro Antunes. Apenas o servidor público afastado da secretaria de Obras da Prefeitura, Ossamu Kaminagakura, usou do direito de não responder durante o interrogatório. Os demais envolvidos foram ouvidos na quinta-feira (1º).

De acordo com o promotor do Gaeco, Leandro Antunes, com o encerramento da fase de investigação, os documentos e depoimentos colhidos são enviados à Justiça e depois retornam ao MP (Ministério Público), que tem cinco dias para oferecimento da denúncia. "Eles apresentaram a versão deles dos fatos. A partir de agora vamos levantar todas as provas para poder oferecer denúncia ou arquivar, se for o caso", respondeu. O promotor não informou se outras pessoas poderão ser denunciadas além dos 11 investigados. "Com a apreensão dos materiais, novos fatos podem surgir", disse.

Mário Takahashi refutou ter cobrado propina de empresário e a participação em esquemas ilícitos: "Pude rebater todas as questões"
Mário Takahashi refutou ter cobrado propina de empresário e a participação em esquemas ilícitos: "Pude rebater todas as questões"



INVESTIGADOS
Rony Alves foi o primeiro a ser ouvido no interrogatório mais longo da tarde de sexta-feira (duas horas de duração). O vereador afastado defendeu que os projetos de alteração de zoneamento não apresentavam irregularidades. Ele negou qualquer negociação de propina para aprovação das matérias. "Nunca houve nunca haverá. As pessoas que acusam, só acusam, não trazem uma prova substancial". Ele disse que nunca procurou o empresário que denunciou o suposto esquema ao Gaeco. "Eu nunca conversei com ele fora da Câmara".

Alves também minimizou o fato de que em gravações feitas pelo MP ele indicava os serviços do empresário Luiz Guilherme Alho para realização do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) com o objetivo de poder viabilizar a mudança de zoneamento de uma área industrial para residencial visando a construção de um condomínio na região da Gleba Lindoia (zona leste). Ele não considera que a prática ilegal possa caracterizar o crime de advocacia administrativa, conforme entendimento do MP. "Se eu conheço um profissional como o Alho ou como o Cleuber (de Moraes, membro do CMC e também investigado) nessa área que pode prestar o serviço, eu vou indicar". Rony Alves rebateu todas as falas transcritas pelo Gaeco na investigação inicial.
Mario Takahashi também negou as acusações feitas pelo denunciante, que afirmou ao Gaeco que o vereador teria pedido R$ 1 milhão em propina para ajudá-lo na mudança de zoneamento. Ele também negou que teria tratado com Alves e Alho qualquer negociação em dinheiro em relação ao projeto de lei. "Eu pude rebater todas as questões. Qual é a função do Legislativo, qual relacionamento com empresários e entidades de classe e como o projeto tramita na Casa". Sobre uma reunião filmada pelo Gaeco em que estavam presentes ele, Alho e Rony Alves, Takahashi disse não se lembrar do teor das conversas. "Foi uma reunião informal, e em nenhum momento foi colocado o que seria cobrado por Alho."

O interrogatório do empresário Luís Guilherme Alho durou mais de uma hora. Ele é considerado um intermediário entre empresários interessados em mudar o zoneamento e os agentes públicos. Alho também teria oferecido serviços de EIV por R$ 1,6 milhão para viabilizar a alteração da área para ZR3 (Zona Residencial Três), segundo o Gaeco, valor bem mais caro do que outro orçamento na faixa de R$ 25 mil feito pelo empresário denunciante. Luiz Guilherme Alho informou apenas que respondeu todas as questões feitas pelo promotor. "Espero que sejam suficientes para elucidar as questões". Ele não respondeu à imprensa como funcionava sua interlocução na Câmara.

O ex-chefe de gabinete de Alves, Evandir Duarte de Aquino, foi o segundo a chegar ao Gaeco. Junto com o advogado João Maria Brandão, ele preferiu o silêncio. Aquino é acusado de intermediar a negociação entre Luís Guilherme Alho, empresário, e dono de um loteamento na saída para Ibiporã. O advogado de Kaminagakura, Gabriel Bertin, informou que seu cliente não respondeu o Gaeco porque a defesa "não teve tempo hábil para analisar a complexidade dos fatos".

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