Gaeco conclui inquérito da Codel com 9 indiciamentos
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Finalizado ontem pelo delegado Ernandes Cézar Alves, o relatório do inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que apurou suposto pagamento de propina dentro do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) incluiu mais um empresário no rol de indiciados. Com isso, são nove os suspeitos de envolvimento no esquema para acelerar doações de áreas públicas para empresários.
Dos nove envolvidos, o nome de quatro já eram conhecidos. São o ex-gerente de Desenvolvimento Industrial da Codel Eduardo Ivan Reale, o empresário Dorival Pereira e a enfermeira Eliana Teixeira Gonzaga Zamboni. O ex-coordenador de Fiscalização e Análise de Projetos da Codel José Hilário também teve o nome divulgado ao ser exonerado do cargo de chefia, assim como Reale, após o caso vir à tona. De volta aos cargos de origem (o primeiro é agente administrativo e o segundo, fiscal), ambos foram afastados durante sindicância interna na Codel, sem prejuízos aos vencimentos.
Eliana e Reale foram indiciados por corrupção passiva e formação de quadrilha. Pereira e sua funcionária Ana Lúcia Soares foram indiciados por corrupção passiva, corrupção ativa e formação de quadrilha. Já Hilário foi indiciado apenas por corrupção passiva porque teria, de acordo com a investigação, cobrado propina do empresário Albertino Antônio da Silva, mas sem aparente envolvimento com o esquema.
Já os empresários Albertino Silva, Taís Gois Cogo, Luiz Carlos Schiavon e Adriano Palácio Bezerra foram indiciados por corrupção ativa. Todos, excetuando Albertino, teriam confirmado ao Gaeco ter pago valores a Eliana para acelerar o processo na Codel. Albertino teria feito pagamentos a Hilário com o mesmo propósito. Entretanto, segundo o delegado Alves, nenhuma das doações chegou a ser concluída. Apenas a empresa Artlondre, de Pereira, ganhou projeto de lei, mas foi retirado da pauta da Câmara de Vereadores devido à suspeita.
As investigações se iniciaram no começo de outubro de 2013, depois que um empresário, em depoimento à Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, informou que estava na fila de doação de áreas para empresas da Codel há cinco anos. O empresário disse, então, que foi procurado por Eliana, que ofereceu ajuda no processo porque tinha contato com Reale, em troca do pagamento de R$ 2 mil, mais outras parcelas no mesmo valor nos seis meses decorridos a partir do início do processo e, quando o terreno fosse entregue, teria de pagar mais R$ 1,5 mil por mil metros quadrados doados.
Com base nas informações, o Ministério Público solicitou a quebra dos sigilos telefônico e de dados de Eliana, o que teria servido para comprovar contatos com empresários que faziam pagamentos a ela e dela com Reale.
De acordo com a investigação, Eliana liderava o esquema, ao intermediar o contato dos empresários com a Codel e os recebimentos dos valores. Pereira atuava angariando outros empresários para Eliana com a ajuda da funcionária Ana Lúcia que, de acordo com os autos, apesar de obedecer ordens, conhecia a ilicitude dos atos. Reale atuava facilitando a documentação e o andamento dos processos devido à "grande influência" dentro da Codel.
O advogado de Eliana, Ronan Botelho, diz que ela agia como prestadora de serviços e nega participação de sua cliente em qualquer esquema de corrupção. "Ao ser procurada por empresários, ela corria atrás da documentação necessária, o que custaria, em média, R$ 1 mil. Pelo serviço, ela cobrava mais R$ 500."
Luiz Schiavon confirmou o contato com Eliana, que teria se oferecido para atuar como "despachante, organizando a documentação necessária para o procedimento na Codel". Negou, porém, ter pago propina e não quis dar mais detalhes.
O advogado de defesa de Reale foi procurado, mas não atendeu a ligação e não retornou recado deixado na caixa postal. Os demais indiciados também não foram encontrados pela FOLHA. (colaborou Edson Ferreira/Reportagem Local)


