O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga a compra de uma empresa de meio ambiente, a Sanecon, de Arapongas, por dois envolvidos na Operação Antissepsia. Delegado e promotores não confirmaram o nome dos envolvidos, mas a reportagem da FOLHA apurou que eles seriam o ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçú, e o presidente do Instituto Gálatas, Bruno Valverde Chahaira.
A transação chegou a ser concretizada, mas os pagamentos não foram efetuados. Bruno Valverde emitiu cheques que somavam R$ 40 mil, mas acabou sustando os documentos na semana passada, quando a operação Antissepsia foi deflagrada e tanto Valverde quanto Fidélis Canguçú acabaram presos. O primeiro conseguiu liberdade por colaborar com as investigações.
A suspeita do Gaeco surgiu com informações obtidas nas investigações da área da saúde. que Flore.
Por isso, o Gaeco obteve mandados de busca e apreensão e os cumpriu ontem na casa de André Nadai, presidente da CMTU, onde encontrou R$ 29 mil, e na companhia, de onde foram apreendidos computadores e documentos que auxiliariam a investigação.
André Nadai negou saber que a empresa estava sendo comprada por Valverde e Canguçu. ''Eu atendi empresa que ofereceu um sistema de tratamento de chorume e a gente encaminhou esta documentação para que fosse analisada pelo IAP para ver se o serviço poderia ser implantado no aterro e na CTR. Só sei que a empresa pertencia a um senhor que se apresentou como Mauro'', afirmou.
A empresa pertencia a Mauro Rodrigues Mello, que já prestou depoimento ao Ministério Público, mas seu teor não foi divulgado. Ontem a reportagem conversou com um parente de Mello, que não soube informar um meio de contato com o empresário.
Sobre o dinheiro que guardava em casa, Nadai disse que a soma é proveniente de ''reservas pessoais'' e estava devidamente declarado. ''É uma opção pessoal minha guardar o dinheiro em casa e não em banco.'' A reportagem tentou manter contato com os advogados de Valverde e de Canguçu, mas eles não atenderam seus telefones celulares.
No final da tarde de ontem, o presidente da CMTU voltou a sede do Gaeco para prestar ''outras informações''. Ao deixar o Gaeco, Nadai comentou que, em um determinado momento, Canguçú o teria procurado pessoalmente para ''apresentá-lo'' ao dono da empresa Sanecom, Mauro Rodrigues Melo.
Nadai afirma que nunca teve contato com Valverde, e que, o único, que realmente havia lhe procurado para possíveis negociações com a empresa de Arapongas, foi Canguçú.

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