O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Curitiba apreendeu na manhã de ontem documentos relativos à contratação fraudulenta da oficina mecânica Providence que, de fato, pertence ao empresário Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa (PSDB). O mandado de busca e apreensão, cumprido no Departamento de Transporte Oficial (Deto), órgão da Secretaria Estadual de Administração e Previdência (Seap), foi expedido pela 3ª Vara Criminal de Londrina, onde tramita a ação penal contra Abi e outros seis réus acusados de formação de organização criminosa e fraude em licitação.
"Apreendemos documentos relativos à contratação da Providence atendendo pedido do núcleo de Londrina do Gaeco", resumiu o coordenador estadual do Gaeco, procurador Leonir Batisti.

O esquema foi revelado em março, quando o Gaeco de Londrina deflagrou a operação Voldemort. Cinco foram presos, incluindo Abi, que posteriormente, obteve habeas corpus do Tribunal de Justiça.

O então diretor do Deto, Ernani Delicato, é um dos denunciados por envolvimento no esquema. O MP também pediu ao Tribunal de Justiça (TJ) a instauração de inquérito para apurar a suposta participação da secretária de Administração, Dinorah Botto Portugal Nogara, na fraude. Em razão do cargo, ela tem foro privilegiado. A secretária nega participação.

A Seap encaminhou nota afirmando que está à disposição dos órgãos de fiscalização "tanto para recebê-los como para enviar documentos que eventualmente forem pedidos".

A Providence foi contratada emergencialmente no final do ano passado, por dispensa de licitação, ao custo de R$ 1,5 milhão para dar manutenção a toda frota de veículos do Estado do Norte do Paraná, especialmente viaturas policiais. Virtualmente, a empresa seria de Ismar Ieger, mas, conforme o MP, ele era um "laranja" de Abi. Os outros denunciados no processo são Roberto Tsuneda, sócio de Abi, o empresário Paulo Midauar, o advogado José Carlos Lucca e o policial Ricardo Baptista da Silva.

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