Gaeco apreende computador de diretor da TCGL
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Mariana Guerin e Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), liderados pelo delegado Alan Flore e pelo promotor Cláudio Esteves, revistaram ontem pela manhã as salas da diretoria da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). Em cumprimento a um mandado judicial, fizeram a busca e apreensão de documentos que retratam a movimentação financeira da empresa e do computador de uso pessoal do diretor-geral da TCGL, Gildalmo de Mendonça, que permanece detido no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) desde quarta-feira. À tarde, o diretor prestou depoimento com duração de três horas ao Gaeco.
''Há um conjunto de indícios que se fortalece a cada dia que passa'', declarou o delegado ao final do interrogatório, em referência à existência do suposto ''mensalinho da TCGL''. Segundo o ex-vereador Orlando Bonilha, a empresa pagaria uma mesada de R$ 1,6 mil a 11 vereadores para evitar críticas ao sistema de transporte coletivo. O mandado de prisão temporária de Gildalmo tem validade de cinco dias e foi expedido pela juíza substituta da 3Vara Criminal, Zilda Romero, para facilitar as investigações.
De acordo com Flore, além das acusações de Bonilha e do vereador Roberto Fu (PDT), o inquérito conta com ''outros depoimentos'' que reforçam a denúncia. ''No curso do inquérito policial, esperamos que o fato fique devidamente elucidado.''
Um dos alvos da investigação nesse momento é a contabilidade da empresa. Flore não descartou a realização de perícia para verificar se há alguma incongruência no fluxo de caixa que indique a existência de desvios para o pagamento do suposto ''mensalinho''. ''Vamos encaminhar os documentos para o Instituto de Criminalística, solicitando que seja feita varredura na CPU.'' Informações contidas em agendas do vereador afastado, Renato Araújo (PP), apontado por Bonilha como um dos operadores do ''mensalinho'', também estão sendo verificadas.
Gildalmo chegou para seu depoimento com aparência bastante abatida. ''Nunca pensei em passar por uma situação como essa.'' Questionado sobre a primeira noite no CDR, afirmou que foi ''péssima''.''Não por causa da acomodação, mas porque não tinha condições psicológicas de dormir.'' No interrogatório, ele voltou a negar repasse de valores financeiros para vereadores.
O advogado do diretor da TCGL, Moacyr Corrêa Neto, disse acreditar que após o cumprimento do mandado de busca e o depoimento de Mendonça, não há mais razões para justificar a prisão temporária. ''Se era para impedir que ele destruísse provas, perdeu a necessidade.'' O advogado afirmou que iria avaliar se aguardaria uma decisão da própria juíza Zilda Romero ou se entraria com pedido de revogação da prisão temporária.


