Gabeira critica política ambiental do governo Lula
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domingo, 19 de outubro de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O deputado Fernando Gabeira (RJ) acredita que o PT fará com que o Brasil experimente um retrocesso na política ambiental e fique com a imagem manchada aos olhos dos outros países, caso a atuação do governo no setor - que o levou a deixar o partido, no dia 7 - se mantenha na linha atual.
Ele defende a mobilização popular para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reverter o quadro. Gabeira criticou o Plano Plurianual (PPA) 2004-2007, que prevê obras na Amazônia bastante criticadas por ambientalistas, como a construção de polidutos e gasodutos da Petrobras, hidrelétricas, linhas de transmissão de energia e pavimentação de estradas. Ele está coletando informações sobre projetos.
O deputado espera que as obras só sejam iniciadas depois de feitos os Relatórios de Impacto Ambiental (RIA). ''Isso jamais será feito sem o RIA. A não ser que eles (o governo) consigam tirar da Constituição o artigo 225 (que trata da questão ambiental).'' E acrescentou: ''Alguém disse para o Lula que ele era mais forte que a Constituição. São amigos assim que acabam desencaminhando a pessoa.''
A luta pela defesa da Amazônia vai além das fronteiras do País, acredita Gabeira. ''A questão da Amazônia está diretamente ligada à imagem do Brasil no exterior. Se ele (Lula) imprimir no exterior uma imagem de um País que cresce a qualquer custo, sem respeitar as variáveis ambientais, o processo de isolamento do Brasil será semelhante ao que existia antes da (conferência) Rio-92, quando o (então presidente José) Sarney não teve nem coragem de ir a Haya para um encontro itnernacional porque seria hostilizado.''
Sobre sua saída do PT, Gabeira disse que prefere agora lutar por mudanças junto com a sociedade. ''Não perdi apenas a confiança em mudar as coisas através de um partido, mas através do Estado. Não vou investir mais a minha energia em lutas internas porque isso é perda de tempo. A pressão da sociedade é muito mais eficaz.'' Ele acha que sua desfiliação libera o movimento ambiental a criticar o PT abertamente. ''Não é o nosso governo, então não é mais preciso fazer críticas nos bastidores.''


