Gabeira critica governo e diz que voltará ao jornalismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de março de 1997
Celso Fontão Junior Especial para a Folha 
Arquivo FolhaGabeira: se a esquerda não construir uma alternativa não irá a lugar algumJá se passaram quase 30 anos, desde que o jovem Fernando Gabeira envolveu-se como protagonista numa das mais espetaculares ações dos movimentos esquerdistas de oposição ao regime militar: o sequestro do embaixador norte-americano, Charles Elbrick, no Rio de Janeiro, em setembro de 1969. Exilado, junto com outros participantes do sequestro e ex-presos políticos trocados pelo embaixador; Gabeira foi viver na Europa. Voltou ao Brasil no final dos anos 70 com um discurso em que o social, ao invés de se subordinar, interagia em equilíbrio com o prazer pós-revolução sexual e a preservação ambiental. O livro dele Que é isso companheiro?, que mostra um pouco daquele período negro da política brasileira, virou filme e foi apresentado no festival de Berlim, recebendo críticas favoráveis. O filme será distribuído nos Estados Unidos pela empresa Miramax, uma das maiores do setor.
Hoje, deputado federal pelo Partido Verde, Gabeira continua incomodando. Ainda não consegue visto para entrar nos Estados Unidos e reclama que o nível da diplomacia americana caiu enormemente. Sempre polêmico, a esquerda brasileira não digere os votos favoráveis que ele deu às reformas econômicas, como privatização do sistema de comunicações, transparentes e, mais recentemente, petróleo. Por outro lado, o próprio Gabeira diz que não tem o menor interesse em aderir a um governo para o qual reserva muitas críticas. O resultado disso, ele mesmo é quem diz: Sou um lobo solitário. Vou voltar para o jornalismo. Será?


