Rio de Janeiro - Atacado por Severino Cavalcanti durante a entrevista de ontem, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), cabeça do movimento pela destituição do presidente da Câmara, afirmou que o perito Adamastor Nunes de Oliveira, que teria analisado os documentos que comprovariam o recebimento de propina do empresário Sebastião Buani, responde pelos crimes de roubo e estupro no Estado de Pernambuco. ''O perito que ele arranjou tem complicações com a Justiça. Se encontrado, ele irá ajudar no processo (de cassação)'', afirmou.
Na parte final da entrevista, Severino disse: ''Sou contra fazer esse negócio que o Gabeira faz e que eu não faço''. E continuou: ''Eu não ando com maconha e nem com tóxico. E nem defendo que juventude frequente lugares para tomar maconha, fumar maconha.'' Por telefone, Gabeira retrucou: ''Ele me ataca pessoalmente. Com alguns anos de antecedência, Cazuza antecipou minha resposta'', lembrando a letra da música ''O tempo não pára'', que diz: ''Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro/Transformam o país inteiro num puteiro/Pois assim se ganha mais dinheiro''.
Para o deputado, Severino deixou claro seu ''temperamento autoritário'', ao ratificar que não deixará de presidir a sessão em que será votada a cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), apesar do movimento iniciado por líderes partidários contra ele. ''Admitir a suspeição é elemento da democracia. Na floresta da democracia, não existe animal acima de qualquer suspeita'', disparou o parlamentar.
Gabeira e Severino bateram boca no plenário da Câmara no último dia 30. O deputado do PV disse que Severino se comportava de ''maneira indigna'' e que sua presença no cargo era ''um desastre para o Brasil e para a imagem do País''. Irritado, Severino rebateu: ''Ele quer se afirmar como homem e não conseguiu se afirmar ainda.''

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