Brasília - O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), da CPI dos Sanguessugas, acusou ontem o PSB de comandar no Ministério da Ciência e Tecnologia um esquema que pode ser similar ao da máfia das ambulâncias no Ministério da Saúde. A suposta ação da família Vedoin (que chefiava a fraude dos sanguessugas) nos programas de inclusão digital dos ministérios da Ciência e Tecnologia e Comunicações já veio à tona, mas Gabeira diz que, para ele, integrantes do PSB usaram a Ciência e Tecnologia para ''obter ganhos eleitorais e financeiros'' com projetos que estariam longe dos padrões de uma proposta ideal de inclusão digital.
''O que estou querendo mostrar é como um partido se apossou de um ministério e o transformou em um ministério de compadres'', disse o deputado. Gabeira afirmou que cobrará ''explicações convincentes'' dos ex-ministros da pasta. Desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, a Ciência e Tecnologia é comandada por pessebistas: Roberto Amaral (que preside o PSB chamou Gabeira de ''cretino e mau caráter''), Eduardo Campos e, hoje, Sergio Rezende. Eles negam a acusação e criticam o deputado.
Os projetos de inclusão digital dos ministérios englobavam a compra de ônibus equipados com computadores para serem usados por prefeituras. Gabeira listou uma série de fatores para sustentar sua acusação: primeiro, o fato de o ministério ser comandado pelo PSB; segundo, a destinação, por deputados do partido, de verbas do Orçamento da União para o programa; terceiro, a suposta tentativa de uso eleitoral do programa pelo PSB; por fim, a suposta implementação do projeto em um governo do PSB, o de Alagoas.
Gabeira diz que o ex-secretário de Inclusão Digital do ministério Rodrigo Rollemberg, candidato a deputado federal pelo PSB, seria um ''facilitador'' da liberação de emendas que deputados do partido fizeram destinando verbas do Orçamento ao projeto. De acordo com o deputado, em uma conversa telefônica gravada pela PF, integrantes da quadrilha comemorariam terem ouvido de Rollemberg a afirmação de que o Ministério da Ciência e Tecnologia possuía ''muito dinheiro'' para o projeto de inclusão digital.
Como prova da suposta fraude, Gabeira divulgou fotos de ônibus do programa que estariam parados em uma empresa de Volta Redonda (RJ). Os mesmos ônibus foram objeto de reportagem da ''Folha de S.Paulo'' no final de junho. Naquela época, pelo menos dois de cinco ônibus comprados para o projeto ''Você Digital'' estavam havia cerca de três meses parados. Eles estavam na garagem da Viação Elite guardados a pedido do deputado federal Paulo Baltazar (PSB-RJ), um dos investigados pela Operação Sanguessuga.

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