Fux e Weber condenam Genoino e Delúbio
Brasília - Os ministros Luiz Fux e Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenaram ontem o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino por crime de corrupção ativa no processo do mensalão em julgamento. Momentos antes, a ministra havia condenado o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, atingindo o núcleo político do esquema. A ministra argumentou que não pode haver corrupto sem corruptor. Já o ministro afirmou não crer na atuação isolada de tesoureiro. Fux disse que os fatos comprovaram que Delúbio entregou dinheiro em espécie para o representante do PP, João Cláudio Genú, para o representante do PTB, Emerson Palmieri, no período de 2003 a 2004. ''Ele (Delúbio) era um dos comandantes do esquema delituoso'', afirmou.
Com o voto de Fux, somam-se três votos pela condenação de Dirceu e Genoino e quatro pela condenação de Delúbio pelo crime de corrupção ativa. O voto do ministro foi o último da sessão de ontem no Supremo. O julgamento do mensalão continua na próxima terça-feira.
''Concluí que o primeiro réu (José Dirceu) é responsável pelo crime de corrupção ativa'', disse o Fux. ''Uma das atribuições (de Dirceu) era a formação da base aliada, essa base é a mesma que o plenário da Suprema Corte entendeu ser corrompida'', disse o ministro, explicando seu voto.
O ministro citou os encontros de Dirceu com o empresário Marcos Valério e com os diretores de bancos que participaram do esquema, todos já condenados no julgamento do Supremo. Fux afirmou também que vantagens obtidas por Maria Angela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, na venda de um apartamento em São Paulo é mais uma prova da participação do ex-ministro no esquema. ''Isso tudo se quer atribuir à obra do acaso. Não é possível'', afirmou o ministro do Supremo.
Fux considerou que Genoino emitia cheques e que, portanto, ''tinha conhecimento de tudo que estava ocorrendo em relação à receita e às despesas'' no partido. ''É quase impossível dissociar o apoio político do financeiro, esse apoio financeiro veio em conta de um apoio político'', afirmou Fux.
Ao se referir ao Dirceu, a ministra Rosa Weber disse que ''existe prova acima de qualquer dúvida razoável'' que Delúbio não poderia ser responsabilizado sozinho pelo esquema de compra de votos. Além dos encontros de Dirceu com o empresário Marcos Valério, a ministra citou as vantagens obtidas por Maria Angela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, e a viagem de Marcos Valério a Portugal para negociar com empresários a captação de recursos que seriam para o PT.
A ministra considerou que não havia forma de excluir o ex-presidente do PT José Genoino de responsabilidades no esquema. ''Não é crível que, com tantos repasses, ninguém nessas reuniões políticas não mencionasse o assunto'', disse, lembrando que Genoino participava de reuniões com partidos aliados. (A.E.)





