Futuros prefeitos ganharão mais que Lula
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domingo, 16 de novembro de 2008
Janaina GarciaReportagem Local 
Se por um lado assumirão os mandatos em janeiro de 2009 com uma possível lista de demandas da população que os elegeu, por outro, os futuros prefeitos de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) e Apucarana não poderão reclamar das remunerações que as respectivas Câmaras de Vereadores lhes aprovaram antes da eleição de outubro. Com um aumento que passou dos pouco mais de R$ 9,1 mil para aproximadamente R$ 18 mil, o agricultor Reinaldo Ramos Reis (PSDB), em Sertanópolis, será um dos chefes de Executivo mais bem pagos dos municípios paranaenses. Ele administrará uma cidade de 15 mil habitantes abalada, recentemente por uma onda de violência que contabililiza 15 homicídios no ano. Acima de Reis, porém, está o prefeito eleito de Apucarana, João Carlos de Oliveira (PMDB). Graças a atual composição do legislativo local, o contador vai ver o salário de R$ 18 mil saltar para cerca de R$ 20 mil, em seu mandato.
Ambos os casos superam com folga a remuneração do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que recebe R$ 13,8 mil. O mesmo valor bruto é recebido em Londrina pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) que vai se manter congelado, por decisão da Câmara, pelos próximos quatro anos.
No caso de Sertanópolis, onde o atual prefeito, Luis Oporto (PMDB), detém maioria na Câmara e não conseguiu se reeleger (perdeu por 5.537 votos a 4.941), o reajuste foi considerado ''natural'' pela presidente da Câmara, vereadora Regina Célia Rafaeli (PPS). ''Pois é de quatro em quatro anos'', justifica. Questionada como se chegou a um valor mais de 100% maior que o atual, para o futuro gestor, ela explicou que outra vereadora fez uma espécie de ''levantamento externo''. ''Ela consultou gerência de bancos, empresas, e chegou a um consenso que, pelo fato de o prefeito receber autoridades até mesmo em sua casa, ele tem que ter uma condição melhor, até mesmo a nível de (sic) não se corromper'', explanou.
Por outo lado, a parlamentar fez questão de frisar: ''Ainda apresentei uma emenda diminuindo esse valor de R$ 18 mil para R$ 13 mil, pois, descontado o imposto de renda, cairia para os R$ 9 mil mensais que são hoje o salário bruto'', explicou. A emenda foi rejeitada, e a proposta original passou por unanimidade. Por que votou a favor, se defendia a redução? ''Porque sempre a gente chega a um consenso - e a maioria achou que era bom, foi antes da eleição, e, puxa, prefeito precisa. Mas fomos ao Tribunal de Contas consultar, antes, e não teve problemas de legalidade''.
Sobre a moralidade da medida, a vereadora admitiu: ''Acho complicado, ainda mais se levarmos em consideração o valor do salário mínimo. É uma vergonha. Mas é também uma questão de consenso, de não ilegalidade... mesmo contrariada, a gente acaba dizendo 'tá tudo bem''', comentou. Em seguida, pediu para a reportagem corrigir o que ela própria dissera, instantes antes: ''Não é que seja uma vergonha, mas ficou desagradável, a comunidade ficou muito chateada com isso, que não foi nenhum crime: o que houve foi um erro de cálculo. Deveríamos ter estudado um pouco mais a região para comparar''.


