Belo Horizonte- O futuro ministro do Turismo, deputado Walfrido Mares Guia (PTB-MG), admitiu ontem que poderá se antecipar à intimação do Ministério Público e prestar, voluntariamente, depoimento aos promotores que investigam a morte da modelo Cristiana Ferreira, de 24 anos, cujo corpo foi encontrado num flat de luxo da capital mineira, em agosto de 2000. Em entrevista à Agência Estado, por telefone, de Miami (EUA), onde passou o natal com a família, Mares Guia afirmou ainda que não procede a informação de que ele poderia recusar o convite para assumir o Ministério até que o caso esteja totalmente esclarecido para não causar constrangimentos pessoais ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. ''Essa notícia não tem nenhum fundamento'', disse.
O deputado, segundo seu advogado, Castelar Guimarães Filho, deverá dispensar a ''prerrogativa de função'' que possui por ser parlamentar e se apresentar aos promotores da Vara de Execuções Criminais do MP nos próximos dias. De acordo com o advogado, Walfrido ainda não recebeu nenhuma solicitação judicial, que terá de ser feita pela Procuradoria Geral da República em Minas.
Mares Guia garantiu que estará hoje em Brasília para participar da primeira reunião do presidente eleito com o futuro Ministério. Ele disse que pretende ter uma conversa ''pessoal'' com Lula antes do encontro. ''Vou colocá-lo a par da situação e dos objetivos que vou traçar na minha defesa''.
Lideranças do PT mineiro, como o deputado estadual Durval Ângelo, defendem que Mares Guia não assuma a pasta do Turismo enquanto a morte da modelo não for esclarecida pela Justiça. Segundo ele, Lula não pode iniciar o seu governo com a ''imagem arranhada''. Para o deputado Rogério Correia, a resistência do PT de Minas ao nome de Mares Guia é política e anterior ao seu suposto envolvimento na morte de Cristiana. ''Eu não sei o que ele conseguiria contribuir para o início desse governo. Ele seria até elegante com o Lula se pedisse para não assumir nesse momento''.
Ontem, o futuro ministro assegurou que o presidente eleito prestou a ele ''total solidariedade'' e que vem recebendo telefonemas de diversos petistas. Citou, como exemplo, ligações de dois representantes do partido em Minas: o futuro secretário-geral da Presidência, Luiz Soares Dulci e o deputado federal Virgílio Guimarães.

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