Rio de Janeiro - Nascido de uma frustração de Leonel Brizola, que, ao voltar do exílio, ''perdeu'' a sigla PTB para Ivete Vargas, o PDT vinha sofrendo um processo de esvaziamento há mais de dez anos. Agora, com a morte de seu único líder nacional, está fadado ao desaparecimento ou à fusão com outra legenda, possivelmente o PPS. A avaliação é do cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Eduardo Sarmento. ''É inequívoco que o PDT é tão-somente o partido do Brizola. Não se pensa no partido com uma linha programática clara, com lideranças de vulto. O PDT está tangenciando a possibilidade de desaparecimento, porque vinha enfrentando dificuldades para atender aos requisitos da Lei Eleitoral. Sem Brizola, a possibilidade de haver uma coesão em torno da legenda é ínfima'', avalia.
Na mesma linha, o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) destaca que Brizola sempre centralizou em suas mãos o poder no partido e, de certa forma, era o único a encarnar a herança do trabalhismo de Getúlio Vargas. Por essas razões, não deixou sucessores. ''Não há ninguém que possa exercer ou mesmo pretenda exercer o papel que ele exercia. Ele era tudo no partido.'' ''O trabalhismo é uma bandeira confusa em um país complexo, onde a definição de classe não é tão nítida, mas onde existe uma clara motivação de ajudar às populações mais carentes'', disse a cientista política Celina Vargas, neta de Getúlio Vargas.
Uma opção imaginada por Sarmento é a união com outro partido, ''criando um eixo de oposição a Lula, mas não muito significativo''.

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