Futuro de Lula engessa oposição no País
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sábado, 02 de maio de 1998
Gilse Guedes Agência Estado 
Os partidos de oposição no Rio estão esperando uma definição sobre o futuro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e de Vladimir Palmeira ao governo do Estado do Rio. Na quinta-feira, o PDT, segundo seu vice-presidente nacional Carlos Lupi, ainda tinha esperança de que a intervenção no PT do Rio no sentido de impor o apoio ao pedetista Anthony Garotinho se concretizasse.
Ou eles acabam com este grupo, com esta facção, ou acaba a aliança, declarou Lupi na última quinta-feira. É difícil que isto aconteça, mas Lula precisa dar um murro na mesa. O PSB, PC do B e PCB estão esperando uma definição do PT. Nos três partidos, há quem ache necessária a coligação com o PDT. Mas há outros que pensam em se aproximar da candidatura Vladimir Palmeira. Esta última posição é, no entanto, minoritária.
A relação entre PT e PDT no Rio nunca foi boa. No PT, a Articulação, tendência integrada por Lula, pelo presidente nacional do PT, José Dirceu, e pela senadora Benedita da Silva (PT-RJ), defendeu diversas vezes apoio a um candidato do PDT, mas sempre foi derrotada pelos radicais aliados aos independentes no PT. Em 1996, a Articulação quis que o PT do Rio apoiasse Miro Teixeira na disputa pela prefeitura do Rio. Os militantes não aceitaram a pressão e lançaram o ex-vereador Chico Alencar candidato à prefeitura.
Durante os dois governos de Leonel Brizola no Rio, PT e PDT estiveram em frentes opostas. O PT, após o segundo gestão de Brizola no Rio, defendeu, na Assembléia Legislativa do Rio, que as contas do governo fossem rejeitados. Brizola não teve suas contas rejeitadas, mesmo com a oposição do PT e do PSDB, comandado pelo seu inimigo político Marcello Alencar. Caso isto acontecesse, ele se tornaria inelegível nas próximas eleições. Setores do PT não perdoam Brizola de ter, em algumas manifestações e greves, reagido com violência contra sindicalistas e de ter se aliado a figuras consideradas corruptas, como o ex-presidente da Assembléia, o ex-deputado José Nader.
DobradinhaAntes da crise desencadeada no PT com o lançamento da candidatura de Vladimir Palmeira, PPS e PV, que devem marchar juntos na eleição do Rio, já estavam negociando o apoio a Garotinho e ao ex-prefeito César Maia, candidato do PFL ao governo do Rio. Se PT e PDT racharem, fica mais fácil para o PPS fazer uma dobradinha eleitoral com o PDT.
O PPS exige, para formalizar um apoio a César Maia ou a Garotinho, que eles dêem espaço no Rio para as campanhas de seu candidato à Presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, e da candidata ao Senado Denise Frossard. Caso o PDT e PT sejam aliados na eleição do Rio, dificilmente os petistas abrirão espaço para a candidatura de Ciro e Denise.
Segundo Lupi, os prejuízos para o PDT e PT, caso eles sigam separados, dizem respeito ao tempo de televisão. PT e PDT unidos iriam somar o espaço no horário eleitoral gratuito. Lupi afirmou que o PT terá 5 minutos diários e o PDT 3,5 minutos.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três dias da semana serão reservados para a propaganda dos candidatos a governador nos estados e dois para os candidatos a presidente da República. No Rio, de acordo com as pesquisas de intenções de voto, Garotinho tem entre 35% a 40% pontos tendo como candidata a vice-governador, a senadora Benedita da Silva (PT-RJ). Sem Benedita, Garotinho perde 4% a 7% pontos.
Lupi vê um lado positivo, caso Brizola saia candidato disputando com Lula. Ele conversou com um analista político ligado ao governo Fernando Henrique, que acredita que as duas candidaturas levarão a um segundo turno. Ele (analista político) avalia que, na pior das hipóteses, Brizola tendo 3% a 4%, provoca um segundo turno, afirmou.
GarotinhoOs brizolistas gostam de pensar que seu candidato a governador do Rio, Anthony Garotinho, 38 anos, é a reedição de Leonel Brizola: jovem, impetuoso e ambicioso, é um líder carismático e com forte apelo popular. Os adversários costumam acusá-lo de, na verdade, ser um populista - e a esquerda desconfia de seu histórico: ex-marxista, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mais tarde fundador do PT de Campos, ele hoje não se apresenta como um político ideológico. Esquerda e direita não se definem no discurso, mas na prática, afirma.
Isso talvez explique o lapso cometido pelo candidato do PDT, ao apresentar à Agência Estado sua concepção de esquerda. Como dizia Trotsky, o esquerdismo é a doença infantil do comunismo, citou - sendo imediatamente corrigido por um assessor: a frase é de Lênin.


