Curitiba - O futuro político do governador Jaime Lerner (PFL) é uma incógnita. A menos de um ano para concluir o segundo mandato, o governador ainda não tem um quadro claro do que vai fazer depois de entregar o seu posto, no dia 1º de janeiro de 2003.
A única coisa certa é que Lerner não vai concorrer ao Senado ou à Câmara Federal, duas possibilidades avaliadas pelo seu grupo político. ‘‘É pouco provável que eu saia candidato. Eu não tenho perfil para disputar uma eleição legislativa’’, avaliou.
O sonho de figurar como cabeça de chapa numa eleição presidencial, espaço hoje ocupado pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e companheira de PFL, é assunto superado. Restaria, para especulação, a vaga de vice, ainda pouco assediada pelos partidos que articulam o cenário político nacional.
A indefinição sobre seu próprio futuro tem feito Lerner recorrer a frases de efeito. ‘‘Meu destino vai ser definido pelo povo do Paranᒒ, declarou ontem, minutos depois de entregar cheque de R$ 11 mil, referente a sua participação do programa Show do Milhão, de Sílvio Santos, no final do ano, para uma entidade beneficente.
O bom relacionamento com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) poderia até render ao governador do Paraná um ministério, apostam aliados mais próximos do governador. ‘‘Em vez de encerrar a sua carreira, ele pode ficar no governo federal, inclusive se o próximo presidente for do nosso grupo’’, avalia um governista. Lerner disse que tem conversado com o presidente e que a indicação para um ministério não passa de especulação.
O governador deixa o quadro ainda menos previsível quando declara que está empenhado em concluir seu mandato. O convite para integrar o governo federal seria para abril, prazo máximo para FHC promover uma reforma e substituir os 14 ministros-candidatos.
‘‘Todos os atos que desenvolvo são para a conclusão do meu governo’’, disse o governador ao referir-se ao programa de inaugurações de obras que pretende conduzir neste ano. Lerner confirmou a presença de FHC na inauguração do complexo de pontes sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, previsto para março. Segundo o governador, o complexo é mais expressivo que a Ponte Rio-Niterói.

mockup