Fusão com PT agora é sonho de Brizola
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sábado, 22 de agosto de 1998
Luiz Antônio Ryff Agência Folha 
O candidato a vice-presidente na chapa petista, Leonel Brizola, sonha em fundir o seu PDT ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência. As intenções, tanto do Lula quanto as minhas, se formulam nessa direção, para que a aproximação seja cada vez maior. E pode chegar a um processo de fusão. Mas isso é um problema que só o futuro poderá esclarecer. Brizola reconhece que há muitas resistências entre militantes e dirigentes dos partidos à idéia de fusão. Mas a união no primeiro turno já é um primeiro passo importante.
Vivemos um momento de grande abertura e fraternidade e trabalhamos para superar uma ou outra aresta que ainda possa existir. Brizola já está trabalhando com o objetivo de fusão entre os partidos. Só tenho trabalhado para isso aí. Esse último esforço pela unidade foi todo por essa visão de futuro.
Segundo o ex-governador, com uma união maior da esquerda, Lula se credencia para ser o herdeiro político dele e de Miguel Arraes, governador de Pernambuco. Eu sou um homem de 76 anos, o Arraes tem 82. Nos restam alguns anos de vida ativa. E que bom seria se o nosso povão se unisse em torno de uma liderança como a do Lula, quando nós já estivéssemos aí tendo que passar para o outro lado da cerca.
Ele brinca dizendo que, na hora de passar a cerca, gostaria de olhar para trás e constatar: Que bom que estão todos unidos. Em sua opinião, a junção dos partidos de esquerda deve se dar em torno de Lula, como já ocorre na campanha presidencial. Todos nós entendemos que o Lula tem todos os méritos para assumir esse papel histórico de uma liderança que será o referencial para essa unidade, avaliou. Brizola disse que percebeu a necessidade de união da esquerda recentemente. Estávamos sendo simples degraus de uma escada que conduzia ou mantinha a direita no poder, afirmou ele, que buscou inspiração no passado.
Trabalhei por essa aliança com o pensamento amadurecido de que nós simbolizaríamos a unidade do nosso povão, assim como ocorreu em 1950, quando Vargas (Getúlio Vargas) voltou eleito sem estruturas partidárias. Houve um apoio consciente de todas as áreas populares, da pequena classe média e do pequeno empresariado do campo e da cidade em favor dele. E é a isso que procuramos chegar nestas eleições.
Nem esquerda nem direita, muito menos a terceira via defendida pelo primeiro-ministro inglês Tony Blair, Brizola propõe uma quarta via como projeto político. Nunca encaramos com maior viabilidade essa chamada terceira via. Nós, do PDT, preconizamos a quarta via, diz. Ele defende uma política comum dos países pobres e em vias de desenvolvimento em defesa dos seus interesses próprios em relação a chamada globalização.
Segundo Brizola, a globalização não é nada mais que o velho colonialismo. Agora há a presença de uma nação extremamente forte, coadjuvada por um grupo de outras nações que se associam nesse plano político que, no fundo, não quer dizer outra coisa que não a exploração das nações mais fracas, avalia o ex-governador.


