'Fundos têm que ter controle', diz Lerner
O governador Jaime Lerner (PFL) fez um alerta ontem para os governadores interessados em implantar em seus Estados modelos previdenciários semelhantes ao do Paraná. Segundo ele, os fundos previdenciários não podem ser contábeis. Devem ter uma natureza jurídica que impeçam saques instantâneos e um levantamento atuarial consistente. Para que não aconteçam coisas como ocorreu no governo anterior ao meu primeiro mandato, disse Lerner, numa referência à extinção do Fundo de Previdência, consumada no governo do senador Roberto Requião (PMDB).
Lerner embarca logo mais para o Rio de Janeiro. Às 11 horas, ele tem uma audiência com o governador Anthony Garotinho (PDT), quando pretende apresentar a proposta do Paraná para estancar o déficit previdenciário, hoje enfrentado pela maioria dos Estados da Federação. Ontem, o governador trocou algumas impressões com o governador de Santa Catarina, Espiridião Amin (PPB), sobre a crise do governo federal com os governadores de oposição. A conversa foi rápida, durante a troca de comando da 5ª Região Militar, mas segundo Lerner, proveitosa.
Só falamos sobre o Fundo, que é visto como um caminho comum por todos os governadores, ressaltou. Lerner expôs a Amin que, além de desafogar os gastos com a folha de pagamento, um modelo previdenciário forte garante aos Estados aval para a contratação de empréstimos junto a organismos internacionais. Temos de esquecer as diferenças políticas e nos unirmos num ideal, pregou Lerner, que nos últimos dias vem se colocando na figura de um intermediador entre o presidente Fernando Henrique e os governadores de oposição.
Lerner elogiou a decisão do Congresso que, na última quarta-feira, aprovou a cobrança previdenciária aos funcionários públicos federais inativos. Segundo ele, é uma demonstração importante dada pelo governo federal na tentativa de frear o rombo previdenciário acumulado nos últimos anos. (L.D)





