Curitiba Em tempo de vacas magras, os candidatos se desdobram para alavancar recursos para suas campanhas. Alguns podem contar com uma ajuda extra: este ano, aproximadamente R$ 52 milhões foram repassados aos partidos através do Fundo Partidário. O fundo é constituído através de uma dotação orçamentária feita pela União, que contribui com R$ 0,44 por eleitor registrado junto à Justiça Eleitoral. Multas pagas por infrações eleitorais também são revertidas para o fundo.
Nem todos estão contentes com a quantia repassada, entretanto. Mesmo os partidos que recebem mais verbas por terem uma representação maior na Câmara dos Deputados acham que o dinheiro é insuficiente para manter uma estrutura de trabalho.
Agraciado com a maior porcentagem (20%) do total repassado pelo fundo em 2002, o PSDB recebeu R$ 10,2 milhões da União. Mas, para o secretário executivo da sigla no Paraná, Geraldo Figueira, o dinheiro que chega até o diretório estadual garante apenas as condições mínimas para que o partido desenvolva suas atividades. ''Recebemos cerca de R$ 35 mil mensais do fundo. Apenas com telefone, gastamos cerca de R$ 7 mil. O dinheiro do fundo acaba sendo revertido para o pagamento de aluguel de sedes, pessoal, etc. Para a campanha mesmo, não sobra nada'', explica Figueira.
Já as verbas repassadas pelo diretório nacional do PT, que recebeu R$ 7,6 milhões este ano, chegam aos diretórios estaduais conforme a necessidade. ''Às vezes o repasse atrasa ou, em casos de emergência, recebemos adiantado'', observou o vice-presidente estadual do PT, Márcio Pessatti. ''De qualquer maneira, não podemos nos fiar nos recursos do Fundo Partidário. É uma ajuda, mas o que mantém mesmo o PT no Paraná são as contribuições dos militantes e a porcentagem do salário dos parlamentares que são repassadas ao partido.''
Por lei, cada partido é obrigado a seguir algumas regras na distribuição dos recursos do Fundo. Pelo menos 20% do total devem ser destinados Às instituições de pesquisa e doutrinamento político mantidas pelos partidos. A lei também estipula que gastos com pessoal podem atingir, no máximo 20% do total repassado. As siglas também são obrigadas a prestar contas dos gastos realizados anualmente. ''Se somarmos as estruturas municipais, estaduais e nacional do partido, dá um trabalho danado. Mas é necessário para que o repasse continue ocorrendo'', afirma Figueira.

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