Curitiba - De uma coisa nenhum petista discorda: o partido foi um dos grandes responsáveis pela democratização nacional. O PT também teria sido responsável pelo sindicalismo, pelo crescimento de movimentos sociais ligados a setores progressistas e pelo processo de transparência das contas públicas. Entretanto, alguns questionam os rumos do partido depois da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República. É o caso do deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT). Para ele, o grande desafio do partido é saber se desvincular do governo. ''O PT ainda não aprendeu a separar o partido do governo. Eu me lembro bem de uma caricatura que eu vi e que dizia que o PT queria o poder. O Lula chegou ao governo. Ele não chegou ao poder. O governo muitas vezes acaba decidindo o que não quer por pressão internacional ou por incapacidade. Cabe ao partido continuar sonhando. Mesmo que tenha que pressionar um presidente eleito pela sigla'', ponderou o parlamentar.
Rosinha foi um dos fundadores do PT. O nome dele consta da ata assinada no dia 10 de fevereiro de 1980 em São Paulo (SP). ''O partido precisa continuar procurando o poder. Mesmo que vá contra uma ação do governo. É o caso do crescimento econômico. Precisamos marcar postura e dizer não ao modelo neoliberal que criticamos tanto no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB)'', analisou. O deputado federal citou exemplos negativos como a votação pela Reforma Previdenciária, contrária a luta petista ao longo dos tempos.
''Erramos como partido ao agradar ao Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovando a reforma. Erramos ao ameaçarmos os parlamentares pela votação. E pior, erramos ao expulsar quem sempre lutou pelo ideal dos trabalhadores e votou contra essa reforma. Sei que é uma tarefa árdua debater com o governo que elegemos, mas temos que lutar. Até para cobrar mudanças'', pontuou Rosinha.
O vice-presidente do PT do Paraná, Márcio Pessati, que está filiado desde 1982 e foi diretor da Pastoral Operária, é mais otimista. Ele não faz críticas ao partido e diz que acredita que todas as lutas sociais do PT sejam alcançadas ao longo dos anos. Como exemplo, ele citou a sociedade igualitária, reforma agrária, salário digno, participação popular, combate à corrupção e fortalecimento do Mercosul.
O PT conquistou 29 prefeituras do Paraná e tem seis deputados federais e nove estaduais. ''Acho apenas que temos que fazer algo urgente com relação a política econômica. É necessária uma revisão dos juros. É urgente a revisão da autonomia do Banco Central (BC). Existe muito o que avançar e podemos, desde que a militância ajude'', considera Pessati.
Para o secretário de organização do PT estadual e ex-secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Florisvaldo de Souza, o grande desafio do partido, ao qual está filiado desde 1983, é governar aliando o sonho da transformação de uma sociedade mais justa e fraterna com as dificuldades de Brasília. ''Temos que intensificar os debates. Quando se é governo, isso é mais complicado. Mas não podemos deixar de dialogar com a militância para conseguirmos continuar lutando'', considerou Souza.

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