Curitiba - ''O PT tem que voltar a ser socialista. Essa é sua origem, justificativa e razão de ser''. A frase é de um dos fundadores do PT, Plínio de Arruda Sampaio. Ele esteve em Curitiba participando de um encontro organizado pela corrente mais à esquerda do partido, o ''Seminário 25 Anos do PT - Reflexões e Perspectivas''.
Fundado no final da ditadura militar que tomou o poder em 1964, o PT completa 25 anos tendo 23 anos de oposição sistemática na bagagem. Há apenas dois anos conquistou a presidência da República, e as diversas correntes internas ainda tentam identificar e separar o que é partido e o que é governo.
Em entrevista à Folha, Sampaio disse que a grande questão hoje é ''de que maneira fazer com que o partido seja fiel ao que se propôs''. Sampaio disse que o objetivo do PT era transformar o País, transformar a ordem estabelecida. Na avaliação dele, o partido está em um processo de perda da trajetória.
A opinião de Sampaio é compartilhada por outros petistas, que acusam o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de seguir os passos do antecessor Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sociólogo que é neoliberal de carteirinha.
''E agora, como voltar ao que éramos?'', questiona Sampaio. Ele demonstra esperança, acredita que ainda é possível uma guinada que reacenda as raízes socialistas do Partido dos Trabalhadores. O caminho, para ele, está na pressão popular. ''Precisamos de muito trabalho de base e firmeza nas posições'', declarou.
''O PT foi um avanço extremamente importante na história do País. (A fundação do partido) foi o que introduziu a massa em um território que era das elites, o PT é o povo na política. E devemos insistir até o final para resgatar isso'', afirmou.
Sampaio comentou que cabem críticas ao governo federal. ''O Brasil vai bem, o povo é que vai mal. Os banqueiros estão muito bem, mas os índios morrem de fome'', ilustrou. O exemplo se refere à política de juros altos, como estratégia para conter a inflação, mas que por outro lado emperram o crescimento da economia.
Sampaio deixou o Conselho de Política Alimentar (Consea) do governo federal para poder fazer críticas aos caminhos adotados pelo governo do seu partido. Arraigado na militância, Sampaio preside a Associação Brasileira da Reforma Agrária e é diretor do jornal Correio da Cidadania, de São Paulo (SP). ''O jornal é clandestino, porque ninguém compra'', brincou.

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