A Fundação Sanepar de Assistência Social (FUSAN) também fez operações com títulos públicos do governo de Santa Catarina. A revelação consta do balancete trimestral de aplicações que a entidade acaba de divulgar. Em julho do ano passado, a Fusan adquiriu 4,5 milhões de letras a um valor equivalente, à época, de R$ 5,5 milhões. Outras duas operações foram feitas nos meses seguintes. Uma em agosto, envolvendo 3,7 milhões de letras a um custo de R$ 4,6 milhões, e outra em setembro, quando 3,8 milhões de títulos foram avaliados em R$ 4,8 milhões.
O diretor administrativo-financeiro da Fusan, Alfredo Gusso, responsável pelo balancete de 96, respondeu por escrito a perguntas da reportagem da Folha, explicando a transação. Segundo ele, os títulos públicos registrados na contabilidade da entidade serviram como garantia de uma operação financeira entre a Fusan e o Banestado, ‘‘com rendimento igual a 100% do valor praticado pelos certificados de depósitos interfinanceiros’’. O que, segundo seu entendimento, significa ‘‘um valor superior ao exigido atuarialmente e a taxas normais praticadas pelo mercado financeiro’’.
O diretor da Fusan disse ainda que os títulos do governo de Santa Catarina estão registrados e custodiados junto a Central de Títulos Públicos (SELIC) e à Central de Títulos Privados (CETIP), os órgãos competentes para esses casos. Gusso afirmou ainda que as letras não são provenientes de precatórios, mas de rolagem da dívida com a União. ‘‘Após o surgimento de rumores de irregularidades envolvendo não só Santa Catarina, como outros Estados, solicitamos que o Banestado não lastreasse mais nossas aplicações com os referidos papéis’’, afirmou.
O diretor administrativo-financeiro acrescentou ainda que os relatórios das aplicações financeiras do Fusan são encaminhados mensalmente à Secretaria de Previdência Complementar.

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