O presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Paulo Pimentel, disse que orientou os diretores da Fundação Copel (que administra fundos previdenciários de mais de 10,5 mil funcionários da estatal) a manterem as aplicações no Banco Santos e no Panamericano até o limite permitido na política de investimentos da instituição. A orientação foi feita por e-mail no final de setembro.
O e-mail enviado por Pimentel para os diretores da Fundação Copel foi apresentado anteontem na reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Assembléia Legislativa pelo Sindicato dos Técnicos Industriais do Estado do Paraná (Sintec-PR).
Pimentel enviou nota de esclarecimento à Folha, na qual explica a orientação.
Reporto-me à matéria principal da edição de hoje (14 de dezembro) da Folha de Londrina, que trata de minha participação nas operações de investimentos da Fundação Copel.
Em benefício da verdade, tenho a relatar que tomei conhecimento no final de setembro de uma tentativa de interferência indevida, diga-se, pois originada em escalões inferiores do corpo gerencial da Companhia na política de aplicações financeiras da Fundação Copel, que é fixada e supervisionada pelo Comitê de Investimentos e Conselho de Curadores, operacionalizada por sua Diretoria Executiva e fiscalizada pelos organismos competentes tanto na esfera do Banco Central quanto do Ministério da Previdência.
Essa tentativa de ingerência visava zerar aplicações mantidas pela Fundação Copel em instituições financeiras entre elas, o Banco Santos.
Pois bem, junto com a informação dando conta dessa interferência, a direção da Fundação Copel solicitou minha orientação sobre o procedimento a adotar no caso.
Observo que segundo rezam o Estatuto da Fundação e suas normas regimentais, não é atribuição nem prerrogativa do presidente da Copel direcionar investimentos nem determinar a destinação ou o montante a ser investido. Não lhe cabe baixar normas a respeito da política ou da sistemática de aplicações: esse papel compete aos colegiados já mencionados.
Assim, expus em mensagem de correio eletrônico encaminhada à Diretoria Financeira da Fundação Copel meu ponto de vista a respeito das aplicações mantidas no Banco Santos e que serviriam, também, para qualquer outra instituição financeira na ocasião.
Além de recomendar a estrita observância dos limites legais para investimentos naquele tipo de aplicação, da obediência às diretrizes emanadas do Comitê de Investimentos e da atenção aos relatórios das empresas classificadoras de risco, orientei e não ordenei que todas as instituições fossem tratadas igualitariamente, obedecidas todas aquelas premissas e levados em conta seu patrimônio, solidez, conceito e tradição.
E só orientei porque minha opinião foi solicitada.
Observo que em cumprimento a uma política de redução de riscos e de melhoria da lucratividade, a Diretoria Executiva da Fundação Copel vinha reduzindo gradativamente os volumes aplicados no Banco Santos, reduzindo-os à metade em um ano.
Agora, gostaria de lembrar que o contexto do mercado financeiro da época dava a todos os aplicadores (inclusive aos fundos de previdência complementar) total tranquilidade quanto a estabilidade e solidez das instituições incluindo o Banco Santos. Todas as autoridades econômicas do Governo Federal, incluindo os dirigentes do Banco Central, pregavam a existência de absoluta normalidade no sistema bancário nacional, a ponto de manter a política cambial e o chamado risco-Brasil sob controle.
Nessa época, um batalhão de auditores do Banco Central trabalhava na contabilidade do Banco Santos, onde também a Fundação Banco Central de Previdência Privada (Centrus) mantinha aplicações. Mais vultosas, inclusive, que as da Fundação Copel.
Era, portanto, um atestado tácito ao mercado de que eventuais rumores sobre o estado de saúde do Banco Santos não procediam. E assim avaliaram, também, dezenas de fundos previdenciários vinculados a entidades ou empresas federais, estaduais e municipais, investidores privados de todos os portes e municípios com administração de todas as orientações partidárias.
De uma forma que surpreendeu todo o mercado financeiro inclusive os gestores do próprio Centrus, que também permanece com recursos bloqueados o Banco Central decretou a intervenção no Banco Santos.
Mas são visíveis os sinais de que as autoridades econômicas e monetárias do país estão vivamente interessadas em encontrar uma solução negociada ao caso do Banco Santos, sem nenhuma perda aos aplicadores.
E informações dão conta de que essa solução estaria a ponto de ser formalizada.
Curitiba, 14 de dezembro de 2004
Paulo Cruz Pimentel
Diretor Presidente

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