Funcionários vão à Câmara rejeitar venda da Celular
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de dezembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma comissão de funcionários da Sercomtel Fixa e Celular leva hoje ao grupo de estudos da Câmara de Vereadores uma análise que aponta inviabilidade na venda da empresa de telefonia móvel. Essa será a primeira manifestação pública, fora do plenário do Legislativo, contrária à venda. A apresentação de um estudo jurídico indicando a necessidade de plebiscito ante qualquer tentativa de privatização será entregue aos vereadores na reunião marcada para as 10 horas.
O grupo da Câmara ainda não chegou a uma conclusão sobre a revogação ou não da lei que instituiu a obrigatoriedade de consulta popular em caso de negociação de ações - a assessoria jurídica da Casa informou que, por ora, não há previsão de parecer sobre a validade do plebiscito de 2001. Anteontem, porém, alguns integrantes admitiram que a reunião com a diretoria e presidência da Celular poderia acelerar os encaminhamentos para se cobrar do prefeito Nedson Micheleti (PT) um posicionamento formal.
Agora os funcionários decidiram se agilizar. Dois deles, que pediram para não ser identificados por temerem represálias, disseram que a Câmara receberá ''algumas alternativas para a Celular'' com base na opinião de ''especialistas do mercado de telefonia''. Além desses pontos, argumentaram, está também a preocupação com o futuro dos funcionários da móvel contratados e cedidos pela Fixa, caso a privatização se concretize.
O presidente do sindicato estadual que representa a categoria (Sinttel-PR), Eugênio Popenda Kuczera, adiantou que o estudo do grupo que irá hoje ao Legislativo aponta possibilidade de anulação da venda se for desconsiderado o plebiscito. Conforme o dirigente, o levantamento também indica a necessidade de investimento por parte dos acionistas - Prefeitura e Copel que, entretanto, já manifestaram que essa alternativa é inviável. ''É um estudo jurídico conforme o qual sem plebiscito não tem como vender. Além do mais, seria necessário um projeto de investimento dos acionistas, ou, se debater a venda, que pelo menos dêem garantias aos trabalhadores'', afirmou.
No grupo da Câmara, a informação ontem era que tão logo seja definida a possibilidade de transferência de mão-de-obra da Celular para Fixa, será iniciada já a fase de relatório. É a finalização desse documento, aliás, que o prefeito garante que vai aguardar antes de se manifestar pela venda em projeto de lei. Por sinal, o assunto norteou uma reunião sigilosa entre alguns membros do grupo e o petista anteontem à noite.
''Disse aos vereadores que não mandarei o projeto antes de o relatório concluir pela necessidade da venda, mesmo porque não mudou a disposição da Copel em vender a parte dela separadamente'', declarou Nedson. Conforme o prefeito, contudo, um ponto principal foi reforçado. ''Se não finalizarem isso este ano, ano que vem não há chances de venda, pois o debate ficaria ainda mais politizado'', avisou. Sobre o plebiscito, Nedson resumiu: ''Nem falamos sobre o assunto, até porque a revogação da lei que o exige é a atribuição da Câmara''.


