Cerca de 60 funcionários da Sercomtel Fixa e Celular, decidiram ontem à noite, em assembléia extraordinária convocada pelo Sindicato dos Telefônicos (Sintel), iniciar uma campanha contra a venda da Celular.
A discussão em torno do futuro da Celular foi levantada pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), no mês passado, ao anunciar o prejuízo de R$ 4,5 milhões registrado pela empresa no ano de 2005.
Segundo o presidente do Sintel, João Henrique Schmidt, a assembléia extraordinária foi convocada para debater o projeto - ainda não protocolado - assinado por sete vereadores que prevê a revogação da lei que condiciona a venda de ações da Sercomtel à realização de uma consulta popular. ''Chamamos a assembléia extraordinária para discutir esse projeto que quebra a lei do plebiscito. Somos totalmente contra a venda (da Celular). Estamos verificando a possibilidade jurídica da derrubada da lei e ações para fazermos junto aos vereadores, associações, entidades de classe, angariando pessoas para que somem conosco nessa luta contra a venda da Sercomtel Celular'', relatou Schmidt. Segundo ele, acompanharam a assembléia representantes de outras entidades, sindicatos e políticos, que não tiveram a identidade revelada. ''Preferimos não falar agora. Eles vieram espontaneamente para demonstrar solidariedade'', justificou.
Durante a reunião, os funcionários da Sercomtel também discutiram como será conduzida uma campanha contra a venda da empresa. ''A primeira ação que estamos tomando é conversar com cada vereador. Já conversamos com oito ou nove e a grande maioria deles está a nosso favor. Só não falamos mesmo com o pessoal do PT, e com o presidente da Câmara (Orlando Bonilha/PL), mas PMDB e PDT já sinalizaram que estão a nosso favor'', disse. ''Agora queremos colocar a população para discutir o assunto, fazer movimentos na cidade envolvendo a população, entidades, Ministério Público (MP).''
Schmidt discorda do argumento de que a Celular é deficitária. ''Dizem que Sercomtel Celular está dando prejuízo. A gente que entende um pouco acha que um resultado negativo não quer dizer que tenha havido prejuízo, podem ter sido investimentos. Pensamos que a empresa é viável. Se fizermos uma análise dentro de Londrina entre outras operadoras, a Sercomtel Celular tem 43% do mercado'', justificou. ''Se for vendida, Londrina vai perder além de um grande número de postos de serviço, a geração do ICMS que retorna à cidade, em qualidade de serviço e o benefício social'', concluiu.
O município detém 55% das ações da Sercomtel Fixa e da Celular. Os outros 45% foram vendidos para a Copel, em maio de 1998.

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