Curitiba - Preocupados em manter os empregos, 51 funcionários da concessionária Caminhos do Paraná abriram ontem as cancelas do pedágio na praça da Lapa, na Rodovia do Xisto (BR-476). Sem cobrar pedágio, eles fizeram um levantamento do número de carros que passam pelo local. Os funcionários querem chamar a atenção do governo do Estado, apressando a liberação da cobrança na praça, que depende de aval do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e não tem data fixada para começar. O grupo de funcionários fez um abaixo-assinado com 1,1 mil assinaturas, coletadas nos últimos três dias.
Os contratos de experiência desses empregados, assinados em abril, começam a vencer no dia 21 deste mês, boa parte deles no dia 24. Eles não têm garantia nenhuma de estabilidade. A Caminhos do Paraná admite que, se o governo não autorizar logo o início da cobrança e a consequente arrecadação, haverá demissões.
As obras estão prontas desde o final de maio, e desde então a empresa aguarda a liberação da cobrança. A liberação do pedágio na Lapa um pedido na própria população local, cansada dos buracos e dos acidentes é um dos pontos que estão sendo negociados entre o Palácio Iguaçu e a empresa. Ainda não há, pelo menos oficialmente, um preço estipulado para a tarifa na Lapa.
Os funcionários têm uma audiência marcada para as 15 horas de hoje com o prefeito da Lapa, Paulo Furiatti (PMDB). No final da tarde, eles vão pedir o apoio da Câmara Municipal. Furiatti já conversou com o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. O secretário pediu calma e ''mais alguns dias'' a Furiatti, argumentando que as negociações com a Caminhos do Paraná estão evoluindo. Na prática, estão em jogo cerca de 70 empregos, pois há também o pessoal de segurança, terceirizado.
Na praça da Lapa, o fluxo diário estimado é de 6 mil veículos, segundo a empresa. A Caminhos do Paraná tem outras quatro praças, onde os usuários pagam tarifas: Prudentópolis, Imbituva, Irati e Porto Amazonas. A versão da Caminhos do Paraná é de que a abertura das cancelas ontem já estava programada, e que se trata de uma aferição normal do fluxo de veículos. Esse processo deve continuar nos próximos dias.
O governo do Estado tenta uma redução nas tarifas, mas ainda não chegou a um acordo com as concessionárias. Uma equipe está fazendo um pente-fino nas empresas, para saber exatamente em quanto os preços podem ser baixados. Na semana que vem, a comissão de auditoria define os nomes dos técnicos que formarão as seis equipes de campo. Esses técnicos serão destacados para trabalhar dentro das concessionárias, coletando informações. Segundo o advogado Pedro Henrique Xavier, assessor do governo, o principal objetivo da auditoria é determinar o valor da composição patrimonial das empresas. A previsão é concluir a auditoria no final de setembro.

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