Cinco funcionários da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) foram ouvidos ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga um suposto esquema de mensalinho na Câmara Municipal. Em depoimento ao Gaeco, o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) afirmou que a empresa pagaria uma mesada de R$ 1,6 mil para 11 vereadores do Legislativo londrinense. O diretor-geral da TCGL, Gildalmo Mendonça, teve a prisão temporária decretada e cumprida no dia 18. Ontem, a prisão foi revogada no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
Dois conferencistas da TCGL, prestaram depoimento na parte da manhã ao delegado do Gaeco, Alan Flore, e preferiram não conversar com a imprensa. À tarde, mais três conferencistas foram ouvidos - mas nenhum confirmou o mensalinho. Para hoje estão agendados outros sete depoimentos.
''Esses depoimentos foram prestados em razão de uma intimação feita semana passada para que tenhamos contato maior com a rotina interna da empresa'', declarou Flore, explicando que o objetivo da oitiva não é, especificamente, confirmar o mensalinho. ''É somente para tomarmos conhecimento de como era esse procedimento interno da empresa no que se referia à conferência dos valores arrecadados em ônibus e outros postos de venda da Grande Londrina.''
Documentos comprovando a movimentação financeira da empresa, apreendidos na semana passada nos escritórios da TCGL, ainda estão sendo analisados pelo Gaeco. ''Em razão da análise realizada sobre os documentos será possível identificarmos algum tipo de retirada de valores da contabilidade da empresa'', completou o delegado.
Segundo ele, outras diligências poderão ser determinadas - ''impreciso dizer quais'', ressaltou -, e é possível que Gildalmo volte a depor.
O advogado da empresa, Moacyr Corrêa Filho, acompanhou os depoimentos e reafirmou a inexistência de um mensalinho. ''Os funcionários da empresa vêm aqui dizer a verdade. Como é que recolhem os valores dos terminais dos ônibus, para onde são encaminhados. Se são depositados em banco e se bate com a contabilidade da empresa. Se a investigação é para ver mensalinho, não vai achar nada, não tem nada. Primeiro porque não tem o crime praticado, não existe esse crime'', informou.
Conforme ele, a defesa irá impetrar habeas corpus requisitando a soltura de Mendonça ''num momento oportuno''. ''Ele foi preso para ser investigado, prenderam primeiro para investigar depois. É um absurdo, é contra a liberdade de qualquer cidadão, atenta contra a cidadania, contra o respeito à figura humana, atinge a qualquer um, cria uma insegurança'', reclamou.
Para ele, a denúncia feita por Bonilha ''é uma inverdade''. ''No que a Câmara pode prejudicar a empresa? A empresa mantém relacionamento contratual com o Poder Executivo. Aliás, prejudicaram sim: a lei do mototáxi tirou passageiro, a gratuidade para estudante tira passageiro e encarece a tarifa que é o operário que paga. Esses benefícios que se criam não são a favor da empresa'', citou, ressaltando que Gildalmo tem total apoio da empresa. ''Ele tem toda a confiança e respeito da empresa e continuará exercendo o cargo dele.''

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