Roberto Cosso
Agência Folha
De São Paulo
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), depois de anunciar ontem que vai manter o projeto de lei da Previdência estadual, foi agredido por servidores em frente ao Palácio dos Bandeirantes (sede do Executivo paulista) em São Paulo. Ele foi atingido por um ovo no peito. Cerca de 6 mil funcionários públicos, segundo a Polícia Militar, iniciaram às 14 horas um protesto para pressionar Covas a retirar o projeto de lei da Assembléia Legislativa. Se for aprovado, o regime de Previdência vai aumentar as alíquotas de contribuição dos servidores que ganham mais de R$ 600,00 e mandar para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) os funcionários temporários.
Por volta das 16h15, Covas resolveu subir no carro de som para falar com os manifestantes. Foi feito um cordão de isolamento por PMs para que ele atravessasse a multidão entre o portão do palácio e o carro de som. No trajeto, Covas foi empurrado pelos manifestantes. Lideranças do protesto disseram que o tucano anunciaria a retirada do projeto, para acalmar os ânimos.
Em cima do carro de som, o governador passou cerca de dois minutos recebendo vaias de xingamentos dos servidores, até que foi chamado de ladrão. ‘‘Ladrão é voc꒒, respondeu Covas. Logo depois, foi atingido no peito por um ovo, atirado por manifestante. Outros objetos atirados contra o governador não o atingiram. ‘‘Eu fiz (o projeto de lei) e não vou retirar. Vim dizer isso pessoalmente para vocês. Pensei que encontraria uma educação maior do que alguém jogando ovo, jogando pau’’, afirmou Covas, que disse que vai guardar a camisa suja como ‘‘lembrança’’.
Como os objetos atirados contra ele não paravam, Covas acirrou o discurso: ‘‘Vou descer e passar por aí. Eta gente corajosa: tem um aqui e 5 mil aí. Como vocês são machões. Mandei o projeto e vou deixar o projeto lᒒ. Covas disse que os servidores têm todo o direito de pressionar a Assembléia para que o projeto seja modificado. ‘‘Estou fazendo a minha obrigação, o meu compromisso com o futuro. Se isso fosse diferente, o salário não seria como 钒, disse aos servidores. O governo diz que o aumento das alíquotas de contribuição é necessário para desonerar o Tesouro, que arca com 90% das despesas com aposentadorias e pensões.

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