O funcionário do Banco Del Paraná (braço paraguaio do Banestado), Victor Hugo Nunez Sosa, de 22 anos, recebeu licença para tratamento psicológico, depois de ficar 73 dias preso na Polícia Federal de Foz do Iguaçu. Ele foi solto anteontem, mas responderá processo em liberdade por suposto envolvimento com a lavagem de dinheiro na fronteira.
Acompanhado da mãe, Ana Sosa Luna, o office-boy paraguaio falou ontem à Folha enquanto agradecia à Nossa Senhora Aparecida, na Igreja Matriz da cidade. Sosa elogiou a atuação da imprensa diante do caso e disse que não tinha reclamações contra a diretoria do banco onde trabalha há seis anos. ‘‘Não tive problemas com meus superiores. Apenas queria que ajudassem a desvincular meu nome a uma quadrilha, como foi divulgado por alguns policiais’’, comentou.
Estudante do primeiro ano de uma faculdade de ciências contábeis, Hugo Sosa disse que ficou encarregado de transportar malotes com cheques a partir de 1997 e que chegou a levar três vezes por semana, em média, cerca de R$ 1 milhão. Isso totalizaria quase R$ 400 milhões trazidos do Paraguai em três anos. ‘‘Não sei quanto levei, sei apenas que a Polícia Federal já está com os extratos das contas CC5 em mãos.’’
Sosa comentou ainda que já havia sido detido em setembro do ano também carregando malotes com cheques. Ele foi liberado depois de permanecer três horas no entreposto da PF na aduana brasileira da Ponte da Amizade. Questionado sobre o que vai fazer durante a licença, o rapaz disse que deve viajar para o interior do Paraguai e sair com os amigos. ‘‘Passear em Foz, nem pensar. Apenas tenho que voltar pra cá uma vez a cada mês para comparecer à delegacia.’’
O funcionário foi preso no dia 12 de julho deste ano quando passava pela Ponte da Amizade em uma motocicleta levando um malote com 841 cheques, oriundos de depósitos feitos por comerciantes que negociam com turistas e sacoleiros em Ciudad del Este, totalizando R$ 1,17 milhão.
Segundo informações da gerência do banco em Foz, junto aos malotes eram anexados formulários obrigatórios determinados pelo Banco Central, acompanhados de uma listagem detalhada dos cheques. Mesmo dizendo que a circulação dos documentos na fronteira é legal, o Banestado deixou de movimentar dinheiro em contas CC5 há dois meses.

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