O coordenador da Fundação-Escola de Administração Pública do TC, Duílio Bento (foto), negou ontem, em Curitiba, em depoimento ao promotor José Aparecido Cruz, de Maringá, que tivesse mantido relação profissional ou pessoal com Luis Antônio Paolicchi. O depoimento foi acompanhado pelo promotor Mário Schirmer, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, e durou menos de uma hora.
Na avaliação de Cruz, as declarações de Bento ‘‘não esclareceram e não colaboraram’’ em nada para a investigação sobre o desvio de dinheiro público praticado pelo ex-secretário. ‘‘Ele (Bento) disse que não haveria nenhum contrangimento em quebrar o próprio sigilo bancário’’, informou o promotor.
Ontem também era para ser ouvido o empresário curitibano Everson Pagliacci, que comprou – por R$ 1,2 milhão – um apartamento e fazendas de Paolichi no Mato Grosso do Sul, mas ele não foi encontrado para receber a notificação.
O promotor informou que Bento declarou que conhecia Paolicchi apenas das relações profissionais. Na semana passada, Bento fez praticamente as mesmas declarações à Folha. E, através da assessoria de imprensa do TC, ele informou que desde 1992 alerta aos prefeitos – principalmente nas épocas de eleição – para que denunciem pessoas que asseguram a eles obter vantagens no Tribunal.
O promotor Cruz disse ontem que as investigações continuam. Ele deve ouvir mais suspeitos nos próximos dias, mas não revela nomes. Cruz também aguarda o recebimento, pelos bancos onde a prefeitura tinha contas, da movimentação da prefeitura. Com os documentos, ele pode chegar a novos valores sobre o rombo na prefeitura. ‘‘Vamos confrontar os dados com os documentos já auditados para saber o real valor do dano ao patrimônio público’’, informou o promotor de Maringá.
A auditoria anunciada ontem pelo TC também pode ajudar nas investigações. O tribunal anunciou que hoje designa técnicos para realizar uma ampla investigação nas contas da prefeitura. (Colaborou Patrícia Zanin)