Funcionário investigado pelo MP atua como auditor
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sexta-feira, 03 de outubro de 2003
Equipe da Folha 
Curitiba - Não é homônimo. O responsável pelas auditorias nos programas do Paranacidade, Antonio Aldemir Toledo Neto, é a mesma pessoa que está sendo investigada pelo Ministério Público (MP) federal por irregularidades na liquidação do Bamerindus ordenada pelo Banco Central (BC) entre 1997 e 1999. Toledo Neto assumiu as funções de auditor há cerca de 20 dias, mas segundo o superintendente do Paranacidade e secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, Renato Adur, ele está em fase de experiência e ainda não foi contratado.
Toledo Neto participou do conturbado processo de liquidação do Bamerindus ordenado pelo BC como assessor do interventor Gilberto Loscilha. Após realizar uma investigação interna, o BC chegou à conclusão de que havia indícios de irregularidades no processo de liquidação do banco.
Pelo relatório do BC, os responsáveis pela liquidação estariam causando prejuízo ao Bamerindus e favorecendo devedores do banco. Em um dos casos, um imóvel foi avaliado e comprado pelos liquidantes por R$ 4,9 milhões em 1999 e vendido menos de um ano depois por R$ 2,15 milhões.
A suspeita de que os responsáveis pela liquidação do Bamerindus estariam utilizando o cargo para favorecer terceiros em troca de benefícios levou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Proer o programa que prestava auxílio aos bancos com dificuldades , a pedir a quebra de sigilo bancário de Toledo, Loscilha e de Valdir Frazão, que também era assessor de Loscilha. O pedido foi baseado no aumento de patrimônio registrado entre 1997 e 1999. No caso de Toledo Neto, seu patrimônio aumentou em 130% no período.
As informações coletadas foram remetidas para o MP para que fosse investigada a possibilidade de enriquecimento ilícito. Até agora, nenhuma denúncia criminal foi protocolada na Justiça Federal.
De acordo com Toledo Neto, não houve irregularidades no processo de aumento de seu patrimônio. ''Nem cheguei a tentar impedir a quebra do sigilo bancário na Justiça. O aumento de patrimônio houve, mas foi devido principalmente à renda que eu obtinha junto ao BC, que era quem me contratava para a liquidação do Bamerindus. Aliás, se houvesse irregularidades seria estúpido se alguém fosse declarar isso para a Receita Federal através da declaração do Imposto de Renda'', afirmou.
De acordo com o secretário Renato Adur, a efetivação de Toledo Neto como auditor do Paranacidade não está definida. ''Recebemos várias indicações de outros setores do governo e todos passam por um período de experiência. Por mais que sejam indicações, exigimos que a competência dos funcionários seja provada antes de efetivarmos o contrato'', disse Adur. O secretário afirmou desconhecer as investigações do MP sobre Toledo Neto.


