Funcionário evita responsabilizar senador por parecer
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - Com medo de sofrer retaliações no Senado, o funcionário Marcos Santi evitou ontem responsabilizar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo parecer da consultoria jurídica da Casa que recomendou o voto secreto no Conselho de Ética para o processo em que Renan é acusado de quebra de decoro parlamentar. Em depoimento ontem esta tarde ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), o servidor disse apenas que acompanhou ''movimentos estranhos'' na atual gestão da Casa - sem mencionar diretamente Renan.
Santi pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto da Mesa Diretora do Senado terça-feira após afirmar que Renan teria manipulado o parecer da consultoria jurídica em favor do voto secreto no conselho. O presidente do Senado responde a processo por quebra de decoro parlamentar no órgão, com votação do relatório marcada para manhã. No processo, Renan é acusado de usar dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Santi teme ser enquadrado pela lei 8.027/90 que rege a conduta dos servidores públicos federais. A lei estabelece a pena de demissão ao servidor que relevar ''segredo de que teve conhecimento em função do cargo ou emprego''.
Tuma disse que Santi não fez qualquer vinculação entre o parecer da consultoria jurídica favorável ao voto secreto e a sua decisão de pedir exoneração do cargo. O funcionário negou, segundo o corregedor, que tenha sido pressionado a voltar atrás em suas declarações.
''Foi só uma reação pessoal dele, nada que pudesse comprometer o andamento do processo. Ele disse que foi uma pressão angustiosa, não uma pressão em cima dele. O Marcos sentiu que havia movimentações que não eram normais em outras administrações, mas não fez menção ao senador Renan'', disse.
O corregedor afirmou que o funcionário não apresentou provas das ''movimentações suspeitas'' na Mesa Diretora da Casa. Senadores que acompanharam o depoimento, no entanto, afirmaram estar clara a influência de Renan no parecer jurídico divulgado pela consultoria da Casa com base no que argumenta o servidor.
Após ouvir o depoimento de Santi, Tuma disse que vai fazer uma investigação preventiva da denúncia apenas para garantir que o servidor não receba punições ou retaliações no Senado.


