Funcionário de carreira do tribunal deve ser ouvido hoje
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba deve ouvir hoje, a pedido do Ministério Público de Maringá, o coordenador da Fundação Escola de Administração Pública do Tribunal de Contas (TC), Duílio Bento, sobre seu relacionamento com o ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi.
O promotor de Maringá, José Aparecido da Cruz, não informou ontem quem será ouvido no TC e não quis dar detalhes da investigação, alegando que as diligências podem comprometer as investigações, que visam descobrir o real dano ao patrimônio público. Mas a Folha apurou que será Duílio Bento.
Na semana passada, Bento negou que tivesse mantido qualquer relação profissional com Paolicchi depois que surgiram boatos, em Maringá, de que os dois seriam amigos e que o funcionário do tribunal visitaria constantemente o ex-secretário. Por causa da amizade, Paolicchi teria conseguido que o TC fizesse vistas grossas na prestação de contas do município. As contas da prefeitura dos anos de 96, 97 e 98 foram aprovadas pelo tribunal. As de 99 ainda estão sendo analisadas, mas os desvios praticados por Paolicchi, segundo as investigações do MP, atingiram o final de 98 e meados do ano passado.
Bento afirmou, por meio da asssessoria de imprensa do TC, na semana passada, que assim como conheceu o ex-secretário, conhece mais de 200 prefeitos e secretários municipais. Ele disse ainda que desde 92 envia ofícios a prefeitos do interior na época de eleição, para alertá-los que denunciem pessoas que dizem obter vantagens no TC graças à intervenção do tribunal. Bento trabalha há mais de 20 anos no TC e há cinco deixou a diretoria de contas municipais. Atualmente ele coordena a área de cursos da instituição.
Além de Duílio Bento, a Promotoria, em Curitiba deve tomar hoje o depoimento de uma pessoa que teria comprado por R$ 1,2 milhão as oito fazendas de Paolicchi em Três Lagoas (MS), além de um apartamento do ex-secretário em Curitiba. Como os bens de Paolicchi estão bloqueados, não foi possível fazer a transferência das propriedades para o nome do novo comprador. (P.Z. e Rubens Burigo Neto)





