Funcionário da Copel é suspeito de fraude
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual instaurou um procedimento administrativo para investigar a suspeita de fraude dentro da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Auditorias internas feitas dentro da estatal, indicaram que um funcionário estaria certificando serviços de sondagem de solo que nunca teriam sido realizados pelas empreiteiras. Na prática, as empreiteiras recebiam por serviços licitados ou solicitados através de carta-convite e que não eram realizados, com o aval do engenheiro civil. A fraude foi constatada pela própria Copel em março de 2003 e teria movimentado recursos da ordem de R$ 3 milhões.
O engenheiro Rogério Laurindo de Souza foi demitido por justa causa pela Copel. O caso foi encaminhado para a Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público. A responsável pela investigação é a promotora de Justiça Maria Lúcia Figueiredo Moreira, que pediu uma série de documentos referentes a licitações. Como também trabalha na zona eleitoral, Maria Lúcia acredita que apenas poderá se dedicar ao caso depois do dia 3 de dezembro. Além desse procedimento investigatório, ela tem que analisar outro sobre o mesmo funcionário, por enriquecimento ilícito.
A probabilidade, segundo o MP, é que seja aberta uma ação civil por improbidade administrativa (já que se tratava de funcionário público) com pedido de ressarcimento dos valores supostamente fraudados aos cofres públicos. A assessoria de imprensa da Copel informou ontem que a companhia resolveu demitir Souza por comportamento incompatível com os princípios da empresa. Os fatos relativos ao caso teriam sido encaminhados para a análise do MP, o que impediria que a empresa detalhasse os motivos que levaram ao afastamento do servidor.
A assessoria relatou ainda que as três empresas que participariam da fraude nunca mais teriam tentado entrar em licitações promovidas pela estatal. Elas também não teriam reclamado os valores contratuais que foram suspensos na época em que foi realizada auditoria interna. Rogério Laurindo de Souza entrou com uma ação trabalhista na Justiça contra a Copel. A Folha entrou em contato com os familiares de Souza, entretanto, o ex-funcionário da Copel não retornou os contatos.


