Funcionária do governo foi usada na lavagem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A funcionária da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Arlete Dias de Moraes, foi uma das laranjas utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro, investigado pela CPI dos Títulos Públicos. A denúncia é do relator da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR), que na última quarta-feira revelou uma movimentação cambial no valor de R$ 100 mil, feita na agência do Banco do Brasil do Alto da Rua XV, em nome da funcionária.
Requião insinua ligações entre a funcionária e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Segundo ele, Arlete Dias de Moraes procurou o então chefe da Casa Civil do governo para consultá-lo sobre o pedido de informações feito pela Delegacia de Fiscalização do Banco Central em Curitiba. O BC requereu em janeiro deste ano explicações sobre a movimentação feita supostamente pela Transoceânica Passagens e Turismo Ltda no BB, que não envolveria somente a funcionária mas outros 30 laranjas.
Gionédis, que é advogado, teria se comprometido a defendê-la - ele ou alguém de sua confiança - e em troca lhe oferecido um cargo DAS no governo, alega Requião. Queremos detalhes e explicações sobre esta história, diz o senador que, junto com o senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), estará em Curitiba na próxima segunda-feira para tomar o depoimento da funcionária e dos demais envolvidos na Polícia Federal.
As acusações de Requião foram transmitidas pela tevê Senado, na última quarta-feira, e confirmadas à Folha ontem. O senador afirma ainda que já encaminhou um dossiê ao presidente do Banco do Brasil, Paulo Cezar Ximenes, dando conta do esquema montado na agência do Alto da Rua XV, que movimentava cinco contas fantasmas com aval da superintendência estadual.
Arlete Dias de Moraes nega as acusações de Requião e assegura que não foi a Transoceânica a agência que promoveu o câmbio, usando indevidamente o seu CPF e a sua assinatura (falsificada como Arlete Almeida). Diz que nunca conversou com o secretário da Fazenda nem com a sua mulher Louise Pereira Gionédis, que mantém um escritório de advocacia em Curitiba. Sou concursada há 21 anos. Fiquei surpresa com o pedido do BC e jamais movimentei R$ 100 mil. Sou uma assalariada e recebo pouco mais de R$ 800,00, diz.
A versão de Giovani Gionédis não bate com a da funcionária. O secretário da Fazenda admite que ajudou Arlete Dias de Moraes, que é sua amiga há anos. Ela ficou desesperada com o pedido de explicações feito pelo Banco Central e veio me procurar na Casa Civil. Mas em momento algum me ofereci como advogado, nem eu nem minha mulher. Ela me garantiu que era inocente em toda a história, rebate.
Gionédis afirma também que Requião é leviano ao levantar suspeitas sobre a sua idoneidade profissional. O senador aproveita-se porque está sob as vestes da imunidade parlamentar, mas terá que provar o que insinua, avalia o secretário, emendando que o relator mente ao dizer que foi dado, em troca, um cargo DAS para a funcionária. Isso é um absurdo. A moça não detém nenhum DAS no governo. Pelo contrário, perdeu-o quando houve a troca de equipe na Secretaria do Planejamento, no início do ano, explica o secretário.


