Os servidores públicos municipais de Londrina completam hoje uma semana de paralisação dos trabalhos. A principal reivindicação dos servidores é a de reposição salarial de 21%, referente as perdas acumuladas entre os anos de 2001, 2002 e 2004. Até ontem, nenhum índice de reposição havia sido oferecido pela administração municipal. Durante a semana, as partes não encaminharam a negociação.
Conforme o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), a adesão à greve por tempo indeterminado alcançou cerca de 90% de adesão entre os quase 7 mil trabalhadores. Somente na área de Saúde estão sendo mantidas equipes mínimas de atendimento (30%) em cinco unidades básicas de saúde (UBSs) consideradas essenciais, como os postos 16 horas e 24 horas e os pronto atendimentos infantil (PAI) e adulto (PAM). Um dos efeitos da greve é o aumento da demanda nos hospitais, e a situação deve se agravar ainda mais a partir de amanhã. Segundo o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, os servidores da Maternidade Municipal, que trabalharam normalmente durante a semana, deverão reduzir o atendimento a 50%. No setor da Educação a greve atingiu quase 80% dos 34 mil alunos. Até sexta-feira, das 77 escolas das zonas urbana e rural, 61 estavam paradas, 11 prestavam atendimento parcial e cinco funcionaram.
Durante toda a semana, sindicato e administração travaram, principalmente através da imprensa, uma ''queda-de braço'' em torno do orçamento do município para 2005. Segundo a prefeitura, não há como oferecer um índice com base em uma projeção de incremento da receita que poderá não se confirmar. O prefeito Nedson Micheleti (PT) ainda questionou o índice reivindicado pelo Sindserv. Nedson argumenta que de 2001 a 2004, a prefeitura teria repassado aos servidores de 27% a 31% de reposição, enquanto a inflação acumulada no período teria sido de 35%. No entendimento do sindicato, há uma margem no orçamento que permite aplicar os 10% de reajuste previsto na implantação da segunda etapa do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) suspenso desde janeiro , e 6% de reajuste, negociando os 15% restantes no decorrer do ano. Conforme os servidores, a reivindicação seria reflexo das perdas não negociadas durante a primeira administração de Nedson.
Um levantamento feito pela assessoria contábil da Câmara de Vereadores com base nos orçamentos de 2004 e 2005, divulgado sexta-feira, aponta que o Executivo teria como conceder de imediato um reajuste entre 3,01% a 6,02%. O estudo ainda confirmou o índice de defasagem salarial apontado pelos trabalhadores. Técnicos da Secretaria Municipal da Fazenda devem entregar aos vereadores, amanhã pela manhã, a análise do levantamento.
Ontem, os servidores realizaram uma panfletagem no Calçadão (área central) da cidade. Os servidores devem realizar segunda-feira pela manhã uma nova assembléia, em que será repassado aos trabalhadores os encaminhamentos da greve.
A expectativa do presidente do sindicato é que o movimento se fortaleça nesta segunda semana de paralisação. ''A expectativa é que o movimento irá se fortalecer pela adesão de novos professores e os servidores da Maternidade. O pessoal está se sentindo traído pela administração que prometeu no ano pasado a reposição e o PCCS. Desde 15 de dezembro a prefeitura vem tomando atitudes que agridem os servidores como a proibição da venda de dez dias de férias, o parcelamento do pagamento das horas extras, adiamento do pagamento do um terço de férias, a mudança de horário de trabalho de mais de 850 servidores, suspensão do PCCS e a última questão foi o índice zero de reajuste'', disse.
A Folha tentou ouvir o prefeito mas ele não foi localizado. Segundo o Núcleo de Comunicação da prefeitura, Nedson estaria ontem em Curitiba, em um encontro do PT.
Ontem pela manhã, o atendimento nas cinco unidades de saúde essenciais foi considerado tranquilo. Na UBS do Jardim Leonor, somente uma senhora reclamava da dificuldade em conseguir o medicamento para hipertensão.

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