Fujimori pode ser preso por 'autogolpe'
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sexta-feira, 05 de abril de 2002
David Blanco Bonilla<br>Agência EFE 
Lima O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori pode ser condenado a trinta anos de prisão pelos crimes de sequestro e rebelião cometidos durante o golpe de Estado que deu início, há dez anos, a seu regime autoritário, que acabou em 2000 por causa de um escândalo de corrupção. Uma subcomissão do Parlamento peruano criada para investigar o chamado autogolpe de 5 de abril de 1992, que permitiu que Fujimori tomasse o controle absoluto do Estado, apresentará no fim do mês uma acusação contra o ex-presidente.
O congressista Aurelio Pastor, membro da subcomissão, afirmou hoje à EFE que seu grupo de trabalho já avançou muito nas investigações sobre o caso e que na acusação serão incluídos outros dez crimes menores. A subcomissão investigadora considera que durante o golpe Fujimori e seus seguidores cometeram sequestro, sancionado com uma pena mínima de 30 anos de prisão, de políticos opositores, jornalistas e familiares de personalidades como o ex-presidente Alan García (1985-1990), atual presidente do Partido Aprista Peruano.
Naquela oportunidade, um comando militar invadiu com armas de guerra a residência, em Lima, de García, que conseguiu fugir pelo telhado, e reteve durante dias, em seu domicílio, seu guarda-costas e seus filhos mais novos. Pastor disse que o crime de rebelião, sancionado com 20 anos, se refere à utilização por parte dos militares de seu armamento para pôr um fim à ordem constitucional e afeta diretamente Fujimori, já que era o líder de fato, por ser chefe supremo das Forças Armadas.
Entre os implicados na denúncia estão o ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos e o ex-chefe das Forças Armadas Nicolás Hermoza Ríos, ambos detidos.


