Fujimori faz ‘visita surpresa’ ao Brasil
E pede que o governo brasileiro garanta a assinatura, no dia 30, do acordo de paz entre o Peru e o Equador
Agência Estado

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(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Última horaFujimori e Fernando Henrique: Itamaraty só foi informado da vinda do presidente peruano duas horas antes de sua chegadaEm um encontro que pegou de surpresa até mesmo o Ministério das Relações Exteriores, o presidente Fernando Henrique Cardoso teve ontem uma audiência com o presidente peruano, Alberto Fujimori, e garantiu apoio ao pedido de ajuda para a assinatura, no dia 30, do acordo de demarcação de fronteiras entre Peru e Equador.
Fujimori teme um recuo do governo equatoriano no cronograma já estabelecido para a assinatura do acordo, em função de declarações atribuídas ao chanceler equatoriano José Ayala Lasso. O chanceler tem declarado que acha difícil um consenso até essa data.
Os dois presidente almoçaram nesta sexta-feira no Palácio da Alvorada. Em entrevista conjunta à imprensa, Fujimori manifestou preocupação com o risco de novos conflitos caso se adie a assinatura do acordo. ‘‘Quando não há demarcação da fronteira, sempre há a possibilidade de uma bala perdida, que pode gerar tensão’’, disse Fujimori. ‘‘Não queremos repetir a lamentável experiência de 1995’’, completou.
Fernando Henrique fez um apelo aos governos peruano e equatoriano para que as negociações ‘‘prossigam em paz’’ e selou o encontro afirmando: ‘‘Brevemente, estaremos eu, o presidente Fujimori, e o presidente do Equador de mãos dadas para selar o acordo de paz. Queremos chegar à paz sem nenhum tiro.’ Fernando Henrique disse ainda que o Brasil buscará apresentar ‘‘propostas construtivas’’ para eventuais problemas no entendimento. Avisou também que ligaria imediatamente para o presidente do Equador, Fabian Alarcón, para relatar o encontro.
Os dois países brigam pelos limites da fronteira comum há 57 anos, na região de Lagartococha e da cordilheira El Condor. Foi uma intervenção do governo brasileiro que evitou, em fevereiro de 1995, o início de um conflito armado entre Peru e Equador. Em 1996 foi criada uma comissão intermediadora formada por quatro países: Brasil, Chile, Estados Unidos e Argentina. O Brasil coordena os trabalhos e, no dia 8, foi entregue aos dois países um laudo técnico com um parecer de como deve ser a fronteira.
O laudo, cujo teor não foi divulgado publicamente, já conta com o aval do governo peruano, desde 10 de maio, 48 horas após o recebimento do relatório. O governo do Equador ainda não respondeu ao laudo. Além das declarações do chanceler equatoriano, de que acha difícil um consenso tão cedo, há outro agravante: em 31 de maio serão realizadas eleições presidenciais no Equador.
Na entrevista de ontem, ao lado de Fernando Henrique, Fujimori evitou atribuir ao Equador o desejo de adiar a assinatura do acordo. Fernando Henrique, diplomaticamente, ressaltou o ‘‘extraordinário espírito na construção da paz’’ do presidente equatoriano.
A vinda de Fujimori ao Brasil surpreendeu até mesmo o Itamaraty. A secretaria de imprensa informou que a chegada de Fujimori só foi comunicada ao ministério às 10h da manhã de ontem, duas horas antes do pouso do avião presidencial no solo brasileiro. O presidente peruano contou que conversou por telefone com Fernando Henrique na noite de anteontem e perguntou se poderia vir ao Brasil para conversar. ‘‘E ele (Fernando Henrique) disse: venha’’, relatou rindo.
Segundo informações da imprensa peruana, Fujimori chegou anteontem de uma viagem ao Cairo, no Egito, e convocou, imediatamente, uma reunião do Conselho de Defesa Nacional do país. A intenção era agir, diante das informações de que o governo equatoriano estaria trabalhando pela postergação da assinatura do acordo. Os jornalistas peruanos que vieram ao Brasil foram acordados pelos assessores de Fujimori às 3 horas madrugada e só souberam o destino da viagem quando já estavam no avião presidencial.

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