O vereador Eloir Valença (PHS), que teve a prisão temporária revogada e a punição convertida para afastamento do cargo na Câmara de Londrina, afirmou, durante entrevista coletiva ontem de manhã, que foi detido ''injustamente, sem provas''. ''Fui preso com base em conversas de terceiros, eu nunca fui corrupto.'' Ele foi indiciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por corrupção passiva e formação de quadrilha, porque teria aceitado vantagem ilícita para apoiar projetos de interesse da prefeitura. ''Me senti um preso político'', disse o parlamentar. Além dele, foram indiciados por formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-secretário de Governo Marco Cito, o chefe de Gabinete do prefeito, Rogério Lopes Ortega, o diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Carvalho, e o empresário Ludovico Bonato. Todos cumprem prisão preventiva.
Segundo Eloir, a única referência a ele, nas conversas gravadas pelo Gaeco, entre o denunciante Amauri Cardoso (PSDB) e Cito, não compromete a sua atuação como vereador. ''Amauri pergunta o que foi dado ao Eloir, ao passo que Marco Cito responde que não trabalhou o caso, pois foram outros meninos, a situação dele é mais de futuro do que de presente'', relatou Eloir. Sobre os ''meninos'', o vereador afirmou desconhecer quem seriam. Questionado sobre as declarações de Bonato ao Gaeco, de que teria se aproximado do vereador através de assessores, a resposta foi irônica. ''Ele deve ter sonhado, tomado muito whisky para falar essas besteiras''.
Ressaltando que nunca recebeu proposta financeira na Câmara, Eloir contou que a aproximação com o prefeito Barbosa Neto (PDT) ocorreu porque o pedetista teria oferecido a oportunidade de ''dar opiniões, ser um interlocutor, sobre as questões relacionadas à educação''. Também revelou ter sido procurado por dois partidos da oposição, o PMN - cujo presidente é Benjamim Zanlorenci, autor do pedido de abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic contra o prefeito - e pelo PSC, partido do vice-prefeito Joaquim Ribeiro. As legendas teriam oferecido apoio político para as eleições. ''Não denunciei nada porque foi tudo legal, dentro da lei'', explicou. Essa procura teria ocorrido porque Eloir teria divergências internas no PHS e os demais partidos queriam contar com o voto dele para a abertura da CP.
Eloir voltou a dizer que vai interpelar judicialmente Amauri e também o empresário Ludovico Bonato, ''para que eles esclareçam quais são os vereadores que estariam recebendo dinheiro''. Sobre o afastamento da Câmara, Eloir criticou a decisão da Justiça, alegando que não teve chance de se defender. Ele vai recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná contra a medida.

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