''Fui peão na campanha. Caixa 2 é com os cartolas''
Curitiba - Não houve reunião entre Rafael Greca e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), ontem pela manhã, como planejava o deputado federal, disposto a falar sobre o seu projeto político. A razão para o cancelamento foi abafada pelos dois. Nos bastidores, corre a versão de que o prefeito ficou irritado com declaração de Greca durante o almoço oferecido pelo presidente estadual do PFL, João Elísio Ferraz de Campos, na última quinta-feira.
Greca teria comentado que o sonho de Cassio concorrer ao governo estaria sepultado por conta do caixa 2 de campanha, investigado pelo Ministério Público estadual. O comentário chegou ao conhecimento do prefeito, que cancelou o encontro. Falei com ele por telefone e estava tudo ok. Depois o Cassio me ligou e pediu para que falássemos outro dia. Procurarei mais compreender que ser compreendido, disse Greca, em entrevista à Folha.
O ressentimento de Greca está nas entrelinhas de suas declarações. Sei bem como é a agenda de um prefeito. Eu fui durante anos. Quando questionado sobre o caixa 2, disse: Não posso falar sobre caixa 2. Eu não estava no comitê. Estava na esquina pedindo votos. Fui peão na campanha, ou melhor campeão. Caixa 2 é problema de cartolas. Durante a campanha de Cassio, os marqueteiros do prefeito entenderam por bem deixar Greca longe dos programas eleitorais no rádio e na tevê. A avaliação era que a sua passagem pelo governo federal foi um desastre, o que tiraria votos de Cassio.
A eleição de 2000 foi muito difícil. Se não tivéssemos nos unido, o (Ângelo) Vanhoni teria levado, cobrou Greca. O deputado lembrou das vezes que foi aos bairros de Curitiba pedir votos para a reeleição de Cassio e ainda de um episódio hilário de campanha, quando brigou com um padre, na saída de uma novena na Igreja do Perpétuo Socorro, aonde Greca fazia panfletagem. (L.D.)





