'Fui 'light' com a Câmara', exime-se Barbosa
A volta dos trabalhos na Câmara também foi marcada pelos discursos de diálogo, na visita do prefeito Barbosa Neto (PDT) e seu secretariado, à Casa, permeados pela possibilidade de barganha política em caso de apoio às ações de Governo. Em plenário, sobraram elogios à atuação do Legislativo - com o qual Barbosa não poupou farpas em episódios do ano passado -; na coletiva que ocorreu na sequência, contudo, o prefeito mandou um recado: que não for oposição, ainda que a promessa seja de manter 50 comissionados na administração, pode ser atendido.
''Olha, não teve esse assédio (em busca de cargos)'', disse Barbosa, que emendou: ''Creio que em legislaturas passadas os vereadores também tinham essa prática, mas também não vejo nada de dificuldade daqueles que realmente fazem parte de um projeto, de uma base que realmente apoia o Executivo, poderem influenciar decisões do prefeito ou mesmo poder contribuir, colaborar com indicações - cito o exemplo do Alyson Tobias Lemos de Carvalho, que era assessor do Sebastião, e que agora nos assessora numa secretaria criada especificamente para poder ter um relacionamento mais profícuo''.
Para o prefeito, o relacionamento com a Casa, em 2009, ''foi light'' - a despeito de declarações como a que sucedeu a tentativa de seu ex-líder, Joel Garcia, de suspender contrato para realização do concurso da Guarda Municipal com a empresa Iprocade. Naquele momento, o chefe do Executivo municipal chegou sugerir ao vereador que cuidasse ''de seu próprio rabo''.
''Eu não sei realmente se teve essas divergências (com a Câmara), acho que vocês (repórteres) carregam um pouco mais nas tintas; eu sempre fui light... Me insurgi com a questão da nossa guarda municipal, seria uma irresponsabilidade, em uma quinta, suspender um concurso que aconteceria no domingo seguinte. Tive questão com apenas um vereador, e sobre isso já fiz todas as declarações possíveis no Ministério Público, agora estamos aguardando para que a Justiça seja feita.''
A respeito das declarações de Joel na sexta passada, quando o vereador foi preso acusado de supostamente interferir na coleta de provas de investigação sobre assessora ''fantasma'' e atribuiu o fato à desavença com Barbosa, o chefe do Executivo eximiu-se da ''parceria do prefeito com os promotores'' evocada pelo parlamentar. ''Não tem essa relação, e pode ter certeza que no primeiro vacilo, vamos ser cobrados, como temos ali (na Promotoria) diversos pedidos de investigação. O MP é independente - quem sou eu pra tentar mudar isso? Teria de mudar isso na Constituição Federal, e eu não sou mais deputado federal para fazer isso.' (J.G.)





