'Fui escolhido pelo povo para administrar'
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Cláudio Osti De Londrina 
Nesta cidade existem milhares de homens capazes para dirigí-la. Eu fui escolhido por Deus e pelo povo para administrá-la e farei todo o possível para retribuir ao povo a confiança que depositou em mim. Estas foram as primeiras frases do radialista Antonio Cassemiro Belinati no dia 16 de novembro de 1976 depois que as urnas confirmaram que ele vencera a eleição para prefeito de Londrina.
Belinati tinha apenas 33 anos e era a segunda vez que estava concorrendo à prefeitura. Na primeira, quatro anos antes, perdeu a eleição para José Richa. Contado o último voto, Belinati foi carregado nos braços pelos correligionários pela Avenida Paraná. Ele se consagrava como um fenômeno eleitoral. Não foi novidade para quem o conhecia e acompanhava sua trajetória. Em 1968 ele fora eleito o vereador mais votado. Depois disso foi eleito deputado estadual e deputado federal.
Os primeiros passos de Antônio Belinati rumo à política começaram em 1962 na Rádio Londrina. O filho de ferroviário, que falava mortanguela Diana em suas primeiras participações, fazendo propaganda do produto, teve uma carreira fulminante. Em 63 já era muito conhecido e foi convidado para apresentar o noticiário da TV Coroados.
Mas seu destino estava ligado ao rádio. Persistente, lia jornais em voz alta para aperfeiçoar a dicção e melhorar o vocabulário. Apelidado na época de furão, Belinati começou a se destacar fazendo críticas ácidas aos governantes.
Depois de uma passagem pela Rádio Clube retornou à Rádio Londrina para comandar o programa A Voz do Povo. Era o trampolim que ele precisava.
Antendendo a população mais carente em seu programa, conquistou votos e seguidores que o levaram para a Câmara Municipal. Nunca mais deixou de fazer política. O filho do ferroviário começara sua ascensão.
A administração de Belinati foi tumultuada. Na época os governos militares incentivavam a construção de habitações populares. Belinati conseguiu verbas federais e implementou um ousado projeto para a construção de 25 mil casas na região norte da cidade. Também transferiu a linha férrea que dividia a cidade ao meio. Deu início, ainda, à construção do Terminal Rodoviário.
Mas a atuação dele sempre foi polêmica. Adorado pelas camadas mais carentes da população, ele era muito criticado pela classe média.
Belinati deixou a administração sob acusações de favorecimento a amigos e empreiteiros. Wilson Moreira, que o sucedeu, pegou uma prefeitura quebrada, com o caixa vazio, cheia de dívidas, um verdadeiro caos.
As estradas rurais estavam intransitáveis, a prefeitura não recolhia os encargos sociais, a dívida, em alguns momentos naquela época de inflação, chegava a representar de 7 a 8 orçamentos anuais do município. O jornalista Joelmir Betting chegou a publicar uma matéria dizendo que a Prefeitura de Londrina era a mais endividada do Brasil. Moreira passou os primeiros 18 meses de sua administração pagando dívidas para equilibrar as contas do município.
A conturbada administração teve resposta nas urnas. Belinati, que havia deixado a prefeitura poucos meses antes de terminar seu mandato para candidatar-se a deputado estadual, não se elegeu. De campeão de votos transformou-se em suplente de deputado. Com a morte do deputado Luiz Gabriel Sampaio, num acidente de automóvel, acabou assumindo uma vaga na AL.
Em 88 ele voltou a disputar a eleição para prefeito de Londrina vencendo José Tavares (PMDB) por uma diferença menor do que 900 votos. Esta segunda administração também foi marcada por populismo e denúncias de irregularidades. Entre as mais conhecidas está a compra Fazenda Refúgio, a um preço considerado superfaturado.
Belinati nunca foi um homem de partido. Usa-os conforme sua conveniência. Em sua carreira transitou por legendas de esquerda (MDB e PDT) e de direita (Arena e PFL) sem constrangimento e sempre deixando claro que seu estilo de atuar não depende de siglas.
Antônio Belinati é um político que não gosta de ouvir conselhos. Mesmo tendo seguidores fiéis desde as suas primeiras campanhas, nunca admitiu preparar um sucessor. Os únicos políticos que ele realmente ajudou são da própria família. O irmão, Waldmir Belinati, foi vereador, deputado federal, secretário de Saúde de Londrina e presidente do extinto IPE. Outros dois irmãos, José e Roberval, também foram vereadores.
Mas Belinati sempre quis mais. Emília, sua mulher, foi convencida por ele a sair candidata a deputada estadual. Em 1989 a máquina de campanha organizada por Belinati fez com que ela conquistasse uma vaga na Assembléia.
Em 1996 Belinati disputou sua quarta eleição para prefeito vencendo o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB)no segundo turno. Nesta eleição ele lançou a filha Cíntia para uma vaga na Câmara de Vereadores de Londrina, que acabou na suplência e nunca assumiu o cargo.
Na última eleição, além de emplacar Emília novamente como vice de Lerner, Belinati lançou o filho Antonio Carlos para a Assembléia Legislativa. Sem nunca ter concorrido a nenhum cargo, Antônio Carlos tornou-se o segundo deputado mais votado do Paraná. Tudo ia bem até que a família encontrou a Promotoria pela frente.


