Folha- O senhor tinha algum tipo de briga política com o Banco Central?
Tony Garcia- Não. Vou te contar a verdade. Isso nunca contei para ninguém. Vou fazer como um desabafo. Em 1994 eu comecei minha campanha para senador. O Carvalhinho era candidato pela chapa que apoiava o Jaime Lerner (PSB). Ele e o Hélio Duque (PSDB). As pesquisas começaram a mostrar que eu estava na frente, com 29% das intenções de voto. O Osmar tinha 28%, o Requião tinha 26% e o Carvalhinho tinha 1%. O Carvalhinho me procurou para que eu desistisse e apoiasse ele. Eu não quis. Ele (Carvalhinho, que foi coordenador da campanha de FHC à presidência da República) era muito influente no Banco Central. Em junho daquele ano, ele começou a se movimentar para que o BC intervisse no consórcio. Quem quebrou o Consórcio Garibaldi foi o Carvalhinho. Foi uma trama política monstruosa. Não gosto de falar de quem está morto, mas fui condenado por algo que não fiz.

Folha- Você pode provar isso?
Tony Garcia- A prova está nos autos. Quando houve a liquidação do consórcio eu procurei o Carvalhinho para conversar. Eu apresentei no processo uma carta escrita por ele relatando tudo o que fez junto ao Banco Central para que o consórcio fosse fechado. A carta foi acompanhada pelo advogado dele (José Cid Campêlo) e registrada em cartório. Outro crime monstruoso que fizeram contra mim foi em Londrina, onde os sócios do consórcio jogavam futebol com técnicos do Banco Central. Num jogo de bola, eles conseguiram os depoimentos dos sócios dizendo que eu era o dono do consórcio. Os dois tinham pendências no BC e trocaram as pendências pelo depoimento deles. Hoje, um deles foi aos autos e contou que tudo não passou de uma armação contra mim. E deu os nomes dos técnicos que jogaram com ele. Está nos autos. Não posso revelar os nomes porque está em segredo de Justiça. É sigiloso.

Tony nega administrar o Consórcio Garibaldi

Folha- O senhor é acusado como sendo o verdadeiro administrador do Consórcio Garibaldi. Tinha procurações para movimentar as contas dos donos que apareciam no contrato. Por que o senhor sempre negou isso?
Tony Garcia- Nunca tive procurações para movimentar contas bancárias ou ações da empresa. Tive uma procuração por apenas três meses em 1985. Não administrava o consórcio.

Folha- Como o senhor explica o fato de terem sido feitos desvios da conta do Consórcio para uma empresa que era sua: a Beltimore?
Tony Garcia- A empresa era do meu pai. Não houve qualquer desvio e pude comprovar isso nos autos. Até 1991, quando Márcio Rodrigues Libertti era vivo, tínhamos uma boa relação com a empresa. O Márcio era meu amigo pessoal. A empresa, que tinha ele como um dos sócios, enfrentou dificuldades financeiras. A Beltimore emprestou no Bradesco US$ 300 mil para ajudar no caixa do consórcio. Trinta dias depois o consórcio conseguiu se capitalizar e devolveu o dinheiro para a empresa da minha família. O Banco Central, na auditoria que fez, colocou apenas o retorno do dinheiro no relatório de forma maldosa.

Folha- Por que o Banco Central faria um relatório tentando incriminá-lo?
Tony Garcia- Eles queriam me atingir politicamente. Eles fizeram o relatório sem citar meu nome. Na penúltima página colocaram que era voz corrente que quem mandava no consórcio era eu. Três empresas, uma minha, trabalhavam diretamente com o consórcio. A minha empresa Ramo Corretora de Seguros S/A fazia os seguros para o consórcio até 1991.

Folha- Era voz corrente que os administradores Rui Rodrigues Libertti, Agostinho de Souza e Sérgio Amilcar de Aguiar Maia eram laranjas. Usados pelo senhor que não queria aparecer porque era político e porque já tinha uma suspensão pelo Banco Central por oito anos por conta da gestão da empresa Valtec Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e que faliu em 1984, mesmo ano em que o consórcio foi montado.
Tony Garcia- Papo-furado. O Consórcio não tinha em 1984 qualquer fiscalização do Banco Central. A constituição era feita na Receita Federal e mesmo suspenso no BC eu poderia ser o dono. O BC somente começou a fiscalizar consórcios em 1991. Ou seja, eu poderia ser o dono de verdade. Essa é outra mentira propagada. A minha empresa, corretora de seguros, eu assumo. Mas nela, nunca houve desvio algum. (L.P.)

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